Em declarações à Lusa no exterior do hospital, no distrito de Lisboa, a coordenadora da direção regional de Lisboa do SEP, Isabel Barbosa, explicou que está previsto que no início do próximo ano o Beatriz Ângelo passe para a esfera do Governo, mas é intenção do executivo “fazer um novo concurso para uma nova gestão privada”.

Os enfermeiros entendem, porém, que a “gestão privada não favorece nem os enfermeiros, nem a população”, opondo-se a uma nova parceria público-privada (PPP).

Segundo Isabel Barbosa, há uma desigualdade de direitos entre as PPP e as unidades hospitalares sob gestão direta do Ministério da Saúde.

“Sabemos que a avaliação de desempenho que se aplica aqui é totalmente desequilibrada e discrimina muito os enfermeiros e, portanto, o desenvolvimento salarial em muitos dos casos. O que nós queremos é que se apliquem as mesmas regras, os mesmos direitos, que haja uma harmonização com todas as instituições do SNS [Serviço Nacional de Saúde]”, defendeu.

Além disso, “a carga horária é superior e os salários são inferiores”, acrescentou a coordenadora regional de Lisboa do SEP, que representava um conjunto de cerca de 10 sindicalistas que se juntaram hoje à porta do Hospital Beatriz Ângelo para exigir melhores condições de trabalho.

Isabel Barbosa referiu também a questão dos prémios atribuídos a alguns profissionais de saúde pelo combate à pandemia de covid-19, lamentando que os enfermeiros deste hospital, em regime de gestão público-privado, não tenham sido incluídos.

“Este hospital para umas coisas é considerado Serviço Nacional de Saúde, mas quando falamos em direitos dos enfermeiros já não é. Os enfermeiros sentem-se altamente desmotivados”, concluiu a enfermeira.

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