Seis meses depois de a doença começar a afetar o sistema nacional de saúde do arquipélago, o governo diz ter chegado a conclusão de que se trata de uma 'celulite necrotizante'.

As autoridades sanitárias são-tomenses dizem que ainda não descobriram uma cura para a 'celulite necrotizante' que já infetou quase 2.000 pessoas desde outubro do ano passado, altura em que começaram a surgir os primeiros casos. "O tratamento direcionado para esta doença em concreto ainda não temos", disse Maria Tomé Palmer, diretora dos cuidados de saúde são-tomense.

Segundo a médica, os pacientes estão a ser tratados com "uma combinação de antibióticos", conforme a orientação o infecciologista português, o primeiro a ser chamado pelo governo são-tomense para analisar a doença. "Porque está envolvida a infeção da pele que depois rapidamente desenvolve para necrose, com a morte do tecido", explica Maria Tomé Palmer, sublinhando desconhecer até então o agente patológico que causa a infeção.

Em janeiro deste ano as autoridades sanitárias haviam avançado 1994 casos de pessoas infetadas pela doença de origem desconhecida, mas o Ministério da Saúde vem hoje dizer que "tem havido sobreposição na identificação de pessoas afetadas pela doença" para explicar que afinal o número é bem mais inferior. Referiu-se a "casos de pessoas infetadas que se registam" em dois ou três postos de saúde diferentes.

Mais de um milhar de casos

"Estamos a proceder a verificação dos livros de registo, mas informamos que o número não ultrapassa os 1350 casos", diz a diretora são-tomense dos cuidados de saúde, sublinhando que "o mecanismo de propagação da doença ainda é desconhecido, mas importa dizer que estamos perante uma doença infecciosa, mas não contagiosa".

Maria Palmer fez o primeiro "balanço" da doença para jornalistas, sublinhou que perante "a situação do crescente número de celulite necrotizante o governo promete clarificar a situação e tomar medidas para reforçar respostas do nosso sistema de saúde".

Estas 15 doenças ainda não têm cura

Mais de meia centena de amostras foram enviadas para laboratórios especializados nos Camarões, Benim, Portugal e Bélgica para determinar o agente teológico responsável pela doença e sua propagação, informou a médica.

O governo aprovou um "plano de ação" de combate ao surto e criou um comité nacional e outro multidisciplinar para fazer face a doença que está a preocupar seriamente as autoridades.

Segundo a diretora dos cuidados de saúde, a faixa etária mais atingida pela enfermidade é a partir dos 35 anos, sendo que os homens representam 57% e mulheres 43%. A doença alastrou-se para todos os distritos do país.

A organização mundial da Saúde (OMS) enviou para São Tomé uma representante para "acompanhar de perto e coordenar o surto epidémico" que já afetou várias centenas de cidadãos, disse a Lusa fonte da instituição na capital são-tomense.

Segundo a mesma fonte, Rosa Maria Silva, de nacionalidade cabo-verdiana chegou a São Tomé e Príncipe na quinta-feira por orientação do diretor regional da OMS onde vai "permanecer durante algum tempo".

Na sexta-feira reuniu-se com a ministra da Saúde, Maria de Jesus Trovoada, com o ministro dos negócios estrangeiros e comunidades, Urbino Botelho e com a coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas.

Outros dois consultores epidemiologista da OMS chegaram a São Tomé esta semana para trabalhar com os médicos nacionais para esclarecimento dos agentes causadores dos casos de celulite necrosante.

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