Segundo Varadkar, esta situação “pode enviar mensagens confusas” em relação às deslocações ao estrangeiro durante a pandemia do novo coronavírus.

As dúvidas do governante irlandês refletem as divisões sobre a questão existentes no governo de coligação de Dublin, integrado pelos dois grandes partidos nacionais, o centrista Fianna Fail, e o democrata-cristão Fine Gael, mais os Verdes.

O executivo tinha previsto publicar hoje a “lista verde”, depois de assegurar que nela não estaria nem os Estados Unidos e talvez o Reino Unido, enquanto a imprensa local avançou que fora dos destinos de férias populares entre os irlandeses estariam também Portugal, França e Espanha.

O governo, porém, cancelou segunda-feira a publicação da lista porque o primeiro-ministro, o centrista Michael Martin, estava ausente na cimeira comunitária de Bruxelas, com o atraso a reavivar o debate sobre a questão.

Até agora, a posição oficial recomenda aos cidadãos que evitem as deslocações não essenciais ao estrangeiro, enquanto os passageiros que chegam aos portos e aeroportos da Irlanda, incluindo os residentes nacionais, devem permanecer em isolamento durante 14 dias.

A publicação da lista significaria que ficariam de fora da quarentena os viajantes procedentes de certos países, enquanto, por outro lado, ainda se recomenda aos irlandeses para não sair da ilha.

Varakdar, primeiro-ministro até junho, opinou que o Governo deve publicar a “lista verde”, mas sem entrar em contradição com a recomendação das autoridades sanitárias, com o objetivo de evitar confusões entre os cidadãos.

“Se a recomendação sobre as viagens para países incluídos na ‘lista verde’ não é diferente da efetuada para outros países, então seria melhor que não houvesse essa lista”, explicou à cadeia de televisão pública local RTE, um porta-voz pessoal de Varakdar.

O porta-voz insistiu que a posição oficial do Governo, segundo o aconselhamento do Serviço Público de Emergências de Saúde Nacional (NPHET, na sigla inglesa), continua a defender que não se devem efetuar deslocações desnecessárias ao estrangeiro, independentemente de o destino estar ou não na lista.

Segundo os mais recentes dados oficiais, referentes a segunda-feira, a Irlanda não registou qualquer óbito nas 24 horas anteriores, permanecendo o total de mortes nos 1.753, tendo-se, porém, detetado, no mesmo período, mais seis novos casos de contágio, subindo para 25.766 infetados.

No entanto, as autoridades sanitárias alertaram para um aumento do índice de reprodução do vírus e um incremento da incidência de novos casos entre a população mais jovens, situação que, a manter-se, poderá causar até 170 incidências diárias nas próximas semanas.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 610 mil mortos e infetou mais de 14,7 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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