Em declarações à Lusa, Ana Aguiar, investigadora do Instituto de Telecomunicações (IT) e professora na FEUP, afirmou hoje que o projeto FollowMyHealth surgiu da necessidade de, usando dados de localização, fazer a caracterização da “transmissão ambiental” do novo coronavírus.

Nesse sentido, a equipa de investigadores decidiu readaptar a plataforma Sense My City que, desenvolvida em 2011, têm vindo a ser utilizada em vários projetos de investigação sobre mobilidade.

Tendo já a aplicação móvel Sense My City consolidada, a equipa de investigadores, que integra também especialistas do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) e da Faculdade de Psicologia da U.Porto, submeteu o projeto de readaptação à linha de apoio Research 4 COVID-19 da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

Com um financiamento de 11 mil euros, a aplicação, intitulada Covid Monitor, ficará brevemente disponível na ‘PlayStore’ da Google.

Os dados de localização das trajetórias dos utilizadores permitirão “saber os locais frequentados”, bem como as dimensões desses locais, se são visitados por muitas ou poucas pessoas e outros aspetos relacionados com “a prevalência da transmissão” de acordo com as superfícies que lá existem.

“Há diferentes categorias de locais, cabeleireiros, cafés, ginásios, restaurantes ou correios, por exemplo, e tudo tem a ver com as atividades que as pessoas lá fazem, o tempo que lá estão e se tipicamente há muitas ou poucas pessoas nesses locais”, explicou Ana Aguiar, acrescentando que o objetivo é “fazer ‘rankings’ dos locais de risco”.

“Isto vai permitir melhorar os modelos de propagação do vírus, é esse o objetivo do ponto de vista da saúde pública, o que permitirá fazer ‘rankings’ de tipos de locais de risco”, referiu.

Paralelamente, a aplicação vai recolher, com base em questionários facultativos, informações sobre o comportamento das pessoas, se se deslocam em transportes públicos e que medidas de proteção individual usam.

“Isto pode ser útil para as pessoas porque o telemóvel vai guardar sempre, por 21 dias, os locais onde estiveram. Por exemplo, se um utilizador testar positivo para a covid-19, a aplicação pode ajudar na entrevista com os serviços de saúde a perceber onde esteve e se usou máscara ou não”, esclareceu.

Segundo Ana Aguiar, o objetivo da equipa, durante os próximos meses, é “minimizar os dados de geolocalização que são transmitidos”, por forma a salvaguardar a privacidade dos utilizadores, retirando da lista de locais como a casa e o trabalho.

“As pessoas sabem onde moram e onde trabalham e, de certeza, que na entrevista não precisam de um telemóvel para ajudar a dizer isso, mas também são os locais que facilmente identificam uma pessoa. Uma vez que podemos retirá-los da lista de locais com facilidade, porque não são úteis, vamos trabalhar nessas medidas”, avançou.

Além da caracterização dos locais suscetíveis a uma maior transmissão da covid-19, os investigadores pretendem também perceber, através de questionários facultativos, o estado emocional dos utilizadores e o impacto do isolamento e do desconfinamento.

Neste momento, o objetivo da equipa passa por fazer “uma prova de conceito” da aplicação em Valongo, uma vez que a Câmara Municipal estava “interessada em ajudar a pôr o estudo no terreno”.

Portugal contabiliza 1.277 mortos associados à covid-19 em 29.912 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

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