A vacina em potencial, desenvolvida em conjunto pela francesa Sanofi e pela britânica GSK e que deve estar pronta em 2021, foi selecionada pelo programa americano "Operation War Speed", informou a Sanofi num comunicado divulgado esta sexta.

Este programa do governo planeia garantir aos americanos o acesso à vacina o mais rápido possível, por meio de vários acordos assinados com laboratórios.

A Sanofi e a GSK receberão US$ 2,1 billiões dos Estados Unidos em troca do fornecimento inicial de 100 milhões de doses aos americanos.

Esta colaboração permitirá "financiar as atividades de desenvolvimento e o aumento das capacidades de fabricação da Sanofi e da GSK nos Estados Unidos para a produção da vacina", relatou a Sanofi.

O laboratório francês, que receberá a maior parte do financiamento do governo dos EUA, especifica que este último também dispõe de uma opção para o fornecimento de 500 milhões de doses extras a longo prazo.

O produto de ambos os laboratórios baseia-se na tecnologia de proteína recombinante usada pela Sanofi para produzir uma vacina contra a gripe e no outro para uso pandémico desenvolvido pela GSK.

O laboratório francês prevê lançar o seu ensaio clínico de fase 1 e 2 em setembro, antes do estudo de fase 3 (a última etapa) até ao final do ano, para uma aprovação que poderá ocorrer no primeiro semestre de 2021.

Estes ensaios em grande escala da fase final vão incluir o México.

Risco partilhado

Antes deste novo acordo, os Estados Unidos já haviam gastado mais de US$ 6 biliões desde março para financiar projetos competitivos, em laboratórios como a Johnson & Johnson, Pfizer e AstraZeneca (de cujos ensaios o Brasil participou), e em duas pequenas empresas de biotecnologia, Novavax e Moderna.

"A carteira de vacinas incluídas no programa 'Operation Warp Speed' aumenta as hipóteses de ter pelo menos uma vacina segura e eficaz até ao final do ano", afirma o secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, citado no comunicado da Sanofi.

Operações similares estão a multiplicar-se em todo mundo, uma vez que, na luta contra a pandemia, os laboratórios devem acelerar as etapas de desenvolvimento de uma vacina e preparar as suas unidades de produção sem sequer conhecer os resultados dos ensaios clínicos, ou seja, sem saber se a vacina será um dia comercializada.

Assinar acordos com os Estados permite-lhes partilhar os riscos e, em troca, os governos garantem o fornecimento de vacinas, se as pesquisas forem bem-sucedidas.

Também esta sexta, a Comissão Europeia informou que reservou, em nome de seus 27 Estados-membros, 300 milhões de doses da vacina contra a COVID-19 que está a ser preparada pela Sanofi.

O Executivo europeu também mantém "intensas negociações" com outros fabricantes, conforme declaração divulgada hoje.

Na quarta-feira, Sanofi e GSK já haviam anunciado um acordo de 60 milhões de doses com o Reino Unido.

As partes interessadas não revelaram o montante envolvido.

Esta competição gera muita polémica, pois questiona o acesso à vacina dos países em desenvolvimento, que não têm os meios para financiar contratos tão grandes, e alimenta o medo de que sejam os últimos a receberem-na.

Em meados de julho, o Conselho de Direitos Humanos da ONU adotou uma resolução, declarando que qualquer vacina contra a pandemia da COVID-19 deve ser considerada "um bem público global". O órgão insistiu na necessidade de "acesso rápido, justo e sem obstáculos a medicamentos, vacinas, diagnósticos e terapias seguros, acessíveis, eficazes e de qualidade".

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