“O primeiro estudo epidemiológico mostrou que tínhamos muito mais anemia do que aquela que era previsível, segundo as previsões da Organização Mundial da Saúde”, atingindo um em cada cinco adultos, disse à agência Lusa o presidente do Anemia Working Group Portugal – Associação Portuguesa para o Estudo da Anemia, António Robalo Nunes.

Agora a preocupação é perceber o que se passa antes de ser adulto, disse o médico imuno-hemoterapeuta, que falava à agência Lusa a propósito do Dia da Anemia, assinalado a 26 de novembro.

O Anemia Working Group Portugal, constituído por médicos de várias especialidades, adverte que as mudanças nos hábitos alimentares resultantes da influência dos amigos e a necessidade de autoafirmação são os fatores sociais e comportamentais que originam na grande maioria dos casos a carência em ferro dos adolescentes.

Apesar de haver poucos dados disponíveis sobre a prevalência da deficiência em ferro nos adolescentes, o pediatra Lino Rosado refere que “as estatísticas mostram taxas de prevalência de 9% em raparigas dos 12 aos 15 anos e de 16% em raparigas dos 16 aos 19 anos”.

A prevalência da anemia é mais alta nas raparigas devido sobretudo às perdas mensais de sangue durante o período menstrual, explicou Lino Rosado, sublinhando que é preciso estar atento aos sinais e sintomas que vão aparecendo progressivamente, como o cansaço, a palidez, as palpitações, a irritabilidade, as cefaleias e até alterações no comportamento escolar.

António Robalo Nunes acrescentou que a anemia é “uma patologia que afeta todo o ciclo de vida, desde o recém-nascido até o grande idoso, com um peso enorme enquanto a condição médica que agrava eventuais doenças pré-existentes”.

"Já sabemos muito do adulto agora temos esta lacuna de conhecimento” em relação aos jovens, disse Robalo Nunes, defendendo ser “importante acautelar que haja aporte de nutrientes suficientes” nestas idades.

A principal causa de anemia é por deficiência de ferro, que tem de ser colmatada através da alimentação ou por via da suplementação. “A verdade é que os hábitos alimentares sobretudo nos jovens estão muito deficitários por causa das questões de ‘fast-food’ ou de opções alimentares restritivas com deficiência da proteína animal”, que “é um fator relevante” para o desenvolvimento da doença, sublinhou.

Para Robalo Nunes, “há aqui um problema muito marcado a nível da adolescência, muito em particular nas raparigas”, que justificaria uma abordagem preventiva que terá de passar pelos médicos de família, que são “um enorme parceiro” para abordar esta questão em tempo real e minimizar a carga da doença.

“Queremos perceber isto melhor (…) porque é um problema de saúde pública que tem de ser tratado pela saúde pública”, defendeu, avançando que a associação quer “documentar e quantificar” através de um estudo epidemiológico “aquilo que é uma fortíssima suspeita” em termos da prática clínica diária.

Para a população reconhecer os sintomas das anemia, a associação lançou uma aplicação, disponível em www.orostodaanemia.pt/, que tem como principal objetivo “sensibilizar a população para o que é considerado já um problema de saúde pública”.

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