“Estou pronto a continuar a investir e a expandir a colaboração com a Universidade Católica. Quero agora investir numa fábrica para produzir cosméticos cá em Portugal e exportá-los”, afirmou hoje John de Melo, diretor-executivo da Amyris Bio Products Portugal, uma subsidiária da empresa norte-americana Amyris Inc.

Em declarações à agência Lusa, no âmbito do projeto Alchemy, John de Melo admitiu querer a fábrica pronta “para ontem”.

“Temos de tomar uma decisão rápida porque a procura existe. A fábrica existe e está a produzir produtos cosméticos nos Estados Unidos para exportar para a Europa. É obvio que temos de produzir na Europa, neste caso, em Portugal para exportar para o resto da Europa”, disse.

Também em declarações à Lusa, o presidente da Amyris Bio Products Portugal, Miguel Barbosa, afirmou que estão neste momento a “começar a avaliar oportunidades, até porque neste momento a Polónia também está na corrida”, sendo que o objetivo é que a fábrica exporte para a Europa, Rússia e Arábia Saudita.

O investimento "não deverá ultrapassar os 10 milhões de euros", afirmou Miguel Barbosa, acrescentando que a criação da fábrica permitirá a contratação de "150 a 200 empregos altamente qualificados".​​​​​​​

O projeto Alchemy iniciou-se em 2018 com o objetivo de estudar e desenvolver novas aplicações para os subprodutos dos processos de fermentação da Amryris e da produção de cana-de-açúcar, potenciando o desenvolvimento de novas moléculas com aplicações na indústria cosmética e farmacêutica.

No âmbito do projeto, foi criada, em 2020, a primeira biosílica extraída da cana-de-açúcar com aplicação na indústria cosmética.

“Conquistámos a primeira molécula com uma velocidade de mercado que está neste momento em velocidade cruzeiro. Neste momento, há pelo menos mais cinco moléculas que irão nos próximos anos ser aceleradas. Cada molécula traz mais oportunidades”, referiu a investigadora Manuela Pintado, da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa.

Para John de Melo, esta molécula é “um exemplo muito bom” das sinergias criadas entre a empresa e a universidade, permitindo “dar voz e presença ao setor da biotecnologia portuguesa a nível mundial”.

“A nossa biosílica vegetal vai ser o caminho para mudar o mundo da indústria de cosméticos”, afirmou o John de Melo.

A perspetiva é que a biosílica possa “começar a ser comercializada a partir do próximo ano” e “integrar as formulações dos produtos das oito marcas internacionais associadas à Amyris”, acrescentou o presidente da Amyris Bio Products Portugal.

“A biosílica está numa fase de pré-comercialização, ou seja, ainda não estamos a vender. Estamos numa fase de amostragem comercial com dezenas de ‘players’ a receberem amostras para testarem, manipularem e integrarem nos seus produtos para podermos começar a estabelecer relações comerciais no final deste ano ou início do próximo”, disse.

Para a investigadora Manuela Pintado, a intenção da empresa querer criar uma fábrica de produção em Portugal “é a prova de que esta colaboração ganhou uma raiz”.

“A relação enraizou de forma única. Acho que, a partir de agora, o conhecimento gerado pelos investigadores e a equipa, em conjunto com os Estados Unidos, tem sido o maior fertilizante que tem feito essa planta crescer. Acreditamos que esta colaboração irá trazer mais retorno económico, alimentar o crescimento e futuro desta colaboração e o valor da investigação que estas oportunidades vão trazer para Portugal e para o mundo”, acrescentou.

Além da descoberta de novas moléculas com potencial de aplicação na indústria, o projeto já permitiu a contratação de 84 investigadores.

O projeto Alchemy, financiado pelo Portugal 2020 e pelo programa FEDER, deriva de uma parceira entre a Universidade Católica Portuguesa, a empresa Amyris Bio Products Portugal e o Governo, através da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).

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