Esta iniciativa de formação teve início em setembro e envolve 188 alunos de Medicina, resultando de um protocolo assinado entre o ICBAS e o Conselho Português de Ressuscitação (CPR), “entidade responsável em Portugal pela certificação de formação em reanimação de acordo com os padrões

técnico-pedagógicos definidos a nível europeu”.

Cada curso abrange 18 formandos, distribuídos por três grupos de seis estudantes, e decorre entre as 8:30 entre as 13:30, dispondo os alunos de suporte digital e técnico para a aprendizagem.

Maria Benedita Carvalho e Nuno Soares, ambos com 18 anos, foram dois dos formandos que concluíram hoje a sua formação em SBV tendo testemunhado à Lusa as mais-valias do projeto.

“Este curso é muito importante pelo contacto que nos dá com a parte prática, tornando-nos aptos para reagir a uma situação de urgência que podemos encontrar no nosso dia-a-dia”, disse a estudante, dando conta de “ter tido um primeiro contacto teórico com esta realidade” no 9.º ano de escolaridade.

Para Nuno Soares, dizer que no curso aprende-se “apenas o essencial é um pouco redutor porque também se aprendem situações específicas e, mesmo parecendo pouco tempo por ser dado numa manhã, aproveita-se muito bem o tempo”.

Classificando a aprendizagem de “enriquecedora porque pode salvar vidas”, o aluno que quer ser pediatra destacou a importância do curso, pois “quanto mais se souber melhor”, admitindo que a vida possa vir a fazer dele “cirurgião ou um socorrista paramédico”.

Maria Benedita Carvalho admitiu estar no seu horizonte profissional “trabalhar também no estrangeiro” e por isso considerou atrativa a formação por ter certificação europeia, o que permite a quem a detém intervir em qualquer parte do mundo.

No curso, para além do SBV com Desfibrilhador Automático Externo, os estudantes “têm treino da Posição Lateral de Segurança e aprendem a lidar com as situações de obstrução da via aérea por um corpo estranho”, acrescentou a coordenadora do curso, Carla Teixeira.

A presidente do CPR, Adelina Pereira, explicou à Lusa que ter a certificação europeia “dá reconhecimento à mais-valia do projeto”, vincando, contudo, ser “muito mais que uma certificação”.

“Tem o valor da cidadania, pois alertamos as pessoas que são o primeiro elo da cadeia de sobrevivência para o SBV, pois se ele não for conhecido nem aplicado não adianta ter unidades de cuidados intensivos topo de gama, porque as pessoas não conseguem chegar lá”, sublinhou.

Sobre a possibilidade de a escola ter em 2020 os primeiros formadores saídos deste curso no ativo, o diretor do ICBAS, Henrique Cyrne de Carvalho, considerou-o “um horizonte exequível”.

“O curso surge da perceção de que era fundamental a formação não só dos nossos estudantes, em SBV e em Desfibrilhação Automática Externa, como (…) dos funcionários docentes e não docentes, para além daqueles ligados ao Mestrado Integrado de Medicina e que estão em ambiente hospitalar, sem formação em SBV”, explicou à Lusa o responsável.

Da parceria com o CPR, acrescentou Henrique Cyrne de Carvalho, surgiu “a ideia de não apenas formar os elementos do ICBAS deficitários nesse tipo de formação, mas também a constituição de uma escola (…), fornecendo competências a todos os que o pretendessem na Universidade do Porto e do ensino secundário”.

“Não vamos ficar satisfeitos por fazer a formação em SBV e a Desfibrilhação Automática Externa, pois temos muitas competências estabelecidas, pela nossa associação ao hospital nuclear e afiliados. Teremos condições para voar mais largo e com os nossos formadores e o apoio do CPR isso será possível”, sustentou Henrique Cyrne de Carvalho.

Entre o pessoal docente, o diretor estima que metade dos cerca de 300 já tenha a formação, mas depois há “outros tantos” de pessoal não docente a precisar dela.

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