A mulher passa por vários ciclos ao longo da sua vida e cada um encerra em si, uma dádiva especial, um encontro com as diferentes expressões da sua essência divina.

Todas as fases trazem também desafios profundos, com bênçãos ilimitadas, tal como uma borboleta que no seu processo de metamorfose dolorosa, liberta do seu casulo se torna um ser lindo e livre, assim nós tornamo-nos seres mais belos com a passagem de cada ciclo até atingirmos a liberdade plena.

O primeiro ciclo mágico feminino, inicia-se na puberdade com a primeira menstruação, aqui fazemos a entrada no mundo das mulheres. Nesta fase, os desafios são colossais: dores, hemorragias, indisposições por vezes graves, alterações físicas e emocionais, é exigida uma postura “mais correcta” a nível social, já não pode ser mais “maria – rapaz”, etc.

Para muitas mulheres esta fase está associada a vergonha e humilhação. A nossa sociedade também tem sido eficaz em rebaixar as mulheres através da imagem negativa do ciclo menstrual e por isso é muito importante a jovem ter bons alicerces emocionais transmitidos pela mãe. O modo como vivenciamos interiormente todo este tumulto vai ter repercussões no nosso comportamento na vida adulta, na nossa auto-estima e até nos nossos relacionamentos.

Como podemos tornar este momento uma experiência maravilhosa? Será possível tornar este momento em algo inesquecível de um modo positivo? Podemos aprender com as mulheres indígenas e os seus rituais.

Os rituais são actos simbólicos que nos ajudam a eliminar mensagens negativas do nosso subconsciente, a ultrapassar medos e a ganhar coragem e força para enfrentar as adversidades. Nas tribos indígenas, esta fase é marcada com uma grande celebração entre todas as mulheres da tribo, acolhendo essa jovem, num mundo novo para ela, dando-lhe conselhos e transmitindo-lhe a alegria inerente á condição feminina.

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Infelizmente na sociedade ocidental, esta alegria raramente se verifica, de um modo geral é um processo visto como um fardo doloroso e preocupante associado ao medo de engravidar, tanto pelas jovens como pelas advertências das mães.

Vamos tornar este processo uma experiência linda. Mães, façam uma festa com as vossas filhas, ofereçam-lhe flores, um par de brincos, um baton, um almoço especial só as duas ou com mais amigas, mas transmitam-lhes a beleza e a felicidade de ser mulher, tornem esse momento inesquecível para a sua vida que está a florescer.

A partir da juventude e ao longo da nossa vida adulta, temos ao nosso alcance vários métodos que não só melhoram a nossa condição física, como nos ajudam a conhecer o corpo, despertar a sexualidade e equilibrar as emoções, tais como:

- Dança do ventre – alivia transtornos menstruais e ajuda a reconciliarmo-nos com a essência feminina.

- Dançar salsa uma vez por semana é uma forma divertida de ganhar tonus muscular na zona pélvica que vai ajudar mais tarde na gravidez e facilitar o parto, liberta stress e tensões acumuladas.

- Danças sagradas indianas fazem uma conexão entre a beleza interior e exterior da deusa, uma integração com a nossa essência sagrada.


- Massagem desbloqueia tensões na zona lombar, melhora a circulação, relaxa, permite-nos escutar o corpo.

Uma alimentação equilibrada e saudável é fundamental para o equilibrio hormonal feminino. Excesso de alimentos refinados, gorduras saturadas e hidrogenadas, açucares, café, chocolate, bebidas gaseificadas, excesso de lacticínios, contribuem para aumento do sindroma pré-menstrual, dores nos seios, problemas hormonais, quistos, nódulos, miomas, cancro.

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O segundo ciclo mágico da nossa vida é a menopausa, um processo natural em que se dá a cessação das regras ou período menstrual e que também acarreta profundas mudanças físicas e emocionais.com situações desagradáveis a nível social e alguma dose de vergonha e sentimentos de inferioridade.

Os sintomas são vários: afrontamentos, depressão, mudanças de humor, sentimento geral de estar perdida e encontrar a sua identidade nova. Mas, está longe de ser inferior, é uma fase de libertação, de sabedoria e de conhecimento interior acumulado ao longo dos anos. Uma mulher que vive bem o início da puberdade e as várias situações da vida, vai passar uma menopausa tranquila. Também nesta fase, podemos adoptar várias atitudes positivas:


- De novo, celebrar esta fase da vida com as amigas, partilhar experiências, fazer um ritual de passagem para esta nova fase.

- Subir a uma montanha, simbolizando o retorno á origem e descer por um caminho diferente com uma atitude de reverência e alegria no processo para este despertar.

- Criar uma mandala de acordo com a sua própria inspiração, observando os sentimentos que vão surgindo na sua construção.

- Criar um espaço na sua casa reservado aos seus momentos de meditação e introspecção.

- Praticar yoga, Chi-Kung que são benéficos para o corpo e para a mente.

Nesta fase a mulher é bombardeada com informação de terapias de substituição hormonal ou uma menopausa natural sem hormonas, exaltação ao consumo excessivo de leite para prevenir osteoporose. Mas o que é mais importante não se faz. Incentivar a mulher ao seu silêncio interior, para ter acesso á sua sabedoria e ao seu próprio poder de criar saúde e bem-estar.

Na sociedade oriental, a velhice é um posto de sabedoria e as pessoas mantêm um equilibrio e lucidez mental invejável até para muitas pessoas jovens no Ocidente.

Nas culturas celtas, a jovem era vista como uma flor, a mãe como o fruto e mulher mais velha como a semente. A semente é a parte que contem o conhecimento e todo o potencial das várias expressões da vida dentro de si.

Nas culturas indígenas, as mulheres pós-menopausicas, tornavam-se xamãs, retinham o “sangue da sabedoria”. Será a sabedoria das mulheres ocidentais temida e assim encorajadas a permanecerem jovens com a terapia de substituição hormonal, ou com cirurgias de estética, ignorando a sua sabedoria? Não estaremos a permitirmo-nos sermos desrespeitadas na nossa essência?

Quando uma mulher compreende que o verdadeiro significado da menopausa tem sido degradado, tal como muitos outros processos no corpo da mulher, poderemos fazer o percurso do resto da vida com objectivos, discernimento, sabedoria, poder e paz interior.
Precisámos de recuperar a capacidade de nos maravilharmos com as coisas simples, aceitar cada etapa com as suas múltiplas experiências com serenidade e assim podemos penetrar na magia da vida.

Isabel Costa

Naturologista e Palestrante

www.alquimiaalimentar.com

isacosta@netcabo.pt

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