A primeira regra no que toca a problemas do foro dermatológico passa por procurar um especialista devidamente certificado em vez de recorrer à farmácia ou a outro tipo de soluções ditas milagrosas mas que podem não ser as mais indicadas. «A partir do momento em que não há um diagnóstico correto, os pacientes podem estar a usar produtos que não são os indicados para resolução do seu problema, pelo que se recomenda sempre a consulta num dermatologista para que seja orientado convenientemente», explica Manuela Cochito.

A consulta de avaliação passa muito pela história clínica e pela observação para que possa decidir-se quais os tratamentos mais indicados e para que sejam avaliadas potenciais contraindicações que possam ter de levar a escolher outras soluções terapêuticas. «A dermatologia é das especialidades que mais evoluiu ao longo dos tempos e existe solução para quase todos os problemas dermatológicos», acrescenta.

«Há que procurar o especialista indicado que o acompanhará de forma honesta e científica para que as pessoas não andem a gastar dinheiro em produtos que não resolvem os seus problemas», refere ainda. Este artigo refere-se a situações que afetam tanto o sexo feminino como o masculino não havendo grandes diferenças nos tratamentos mais indicados. A dermatologista Manuela Cochito dá-lhe a conhecer algumas delas, apresentando as soluções mais adequadas:

1. Estrias

São um pouco diferentes nas mulheres e nos homens mas «a patogenia é semelhante. Havendo uma alteração da derme, há um defeito nas fibras de colagénio e de elastina, formam-se zonas de fratura a nível da derme», explica Manuela Cochito. Alterações hormonais, crescimentos bruscos e dietas são fatores que podem desencadear estrias. «As estrias são efetivamente mais frequentes nas mulheres do que nos homens», sublinha, contudo.

«No entanto, nos homens, sobretudo quando há um crescimento muito rápido a nível das costas, sobretudo na região sagrada (cóccix), as mesmas podem surgir», refere a dermatologista. Por outro lado, os homens que fazem muito ginásio e que têm um aumento corporal brusco ou que tomem alguns suplementos que o favoreçam ficam mais sujeitos ao aparecimento de estrias.

Numa fase muito inicial em que as estrias têm uma cor vermelha, «os cremes à base de retinol podem surtir um efeito agradável mas o seu uso deve ser devidamente acompanhado por um dermatologista porque alguns destes cremes causam alguma irritação cutânea, o que é benéfico no tratamento das estrias mas deve ser controlado», refere Manuela Cochito. Posteriormente, existem tratamentos indicados, como por exemplo «alguns tipos de mesoterapia específica com alguns produtos que podem ter algum efeito».

As estrias antigas, brancas e «completamente atróficas são mais difíceis de tratar. Existe a chamada bioestimulação realizada com uma caneta própria (dermapen), que consiste numa injeção de determinadas substâncias a nível da derme e através da qual se consegue alguma melhoria significativa mas já é uma situação um pouco mais complicada. Os lasers funcionam pouco no caso das estrias mas a radiofrequência tem algum efeito positivo», explica a médica dermatologista.

Dependendo da fase em que as estrias se encontram mas sobretudo na fase inicial em que têm uma tonalidade vermelha, a pele é preparada à base de alguns cremes, passando-se posteriormente para um tratamento mais invasivo se necessário. «O médico dermatologista pode passar à fase da bioestimulação se as primeiras tentativas de tratamentos não responderem adequadamente».

«Quando recorremos à bioestimulação (uma forma de mesoterapia com a dermapen), aconselhamos três sessões, uma vez por mês e na maioria dos casos já permitem disfarçar significativamente as estrias. Posteriormente, se a pessoa deixar de ter comportamentos predisponentes a esta situação, à partida, o seu reaparecimento não acontecerá», salienta Manuela Cochito.

O preço por sessão pode variar mas situa-se, em média, «aproximadamente nos 150 €, dependendo de caso para caso», refere a dermatologista. Para combater o problema, evite dietas drásticas, aumentos de peso e de volume nos ginásios (ter cautela com musculações de aumento muscular muito brusco). As mulheres devem usar cremes anti-estrias específicos durante a gravidez.

Veja na página seguinte: O que fazer para combater as varicosidades e a flacidez

2. Varicosidades

Há que distinguir as varizes das varicosidades, uma vez que as varizes são tratadas no foro da cirurgia vascular. «As varicosidades (derrames superficiais que incomodam as pessoas) podem ser tratadas em dermatologia através de lasers de longo pulso», refere Manuela Cochito. Por razões genéticas, as mulheres têm mais varicosidades do que os homens mas ambos procuram ajuda dermatológica para solucionar o problema.

«A gravidez, as alterações hormonais, a obesidade, estar muito tempo de pé, o uso de roupa muito apertada são fatores que predispõem ao aparecimento de varicosidades», salienta ainda. Para tratar o problema, podem ser agendadas sessões com a duração de 15 a 20 minutos, dependendo das áreas a tratar e da quantidade de varicosidades que o paciente tenha. «Há varicosidades que desaparecem no primeiro tratamento e outras que requerem mais tempo pelo que as sessões vão sendo agendadas consoante os casos», diz.

«As que requerem alguma manutenção implicam que os pacientes as retoquem, de tempo em tempo, para não voltarem a sofrer do problema», aconselha ainda Manuela Cochito. O preço médio por sessão ronda, aproximadamente, os 150 €.

Uma boa forma de prevenir o aparecimento de varicosidades passa por evitar usar roupas apertadas e usar meias de descanso se tiver uma profissão em que tenha de permanecer muito tempo de pé, evitar estar muito tempo nesta posição e tentar manter o peso dentro dos parâmetros normais. «Caminhar pode ser uma boa solução. Ao andar, os músculos fazem o bombeamento do sangue, algo que não acontece quando permanecemos muito tempo em pé», explica a médica dermatologista.

3. Flacidez

É um problema tanto masculino como feminino e está muito relacionado com a idade. A pele jovem consegue readaptar-se a alterações de volume com mais facilidade do que uma pele mais envelhecida. Como refere Manuela Cochito, «mesmo sem perda de peso, a flacidez instala-se sobretudo a partir dos 40, 50 anos». As pessoas que perdem muitos quilos «ficam com pele caída porque não conseguem voltar a forma original e acabam por ficar com um misto de flacidez e excesso de pele», adianta a médica dermatologista.

Neste caso, o único tratamento é a radiofrequência potente com associação de ultrasons. São vários os tratamentos mas o esquema difere caso se realizem na cara ou no corpo. «Conseguem-se efeitos naturais e muito significativos, tipo lifting, pois é o próprio organismo que vai estimular as suas próprias células de forma a refazerem a derme para que a pele ganhe novamente a firmeza necessária», salienta Manuela Cochito.

«As zonas do corpo em que mais se realizam estes tratamentos são a cara, os braços e nas pernas», acrescenta ainda. Os melhores resultados obtêm-se no rosto, pois é a zona que melhor responde a este tratamento, «apesar de o abdómen e as pernas também responderem satisfatoriamente», acrescenta a dermatologista. «Na cara, o protocolo implica uma sessão por mês nos primeiros seis meses passando a três meses em três meses sendo que o efeito máximo é alcançado ao fim de ano e meio, dois anos», diz.

«O efeito é de retração como se fosse um lifting e os tratamentos demoram pouco mais de uma hora», alucida. No corpo, o tratamento é diferente. «O protocolo começa com sessões todas as semanas, passando a sessões mensais nos quatro meses seguintes. O efeito total é atingido ao fim de seis meses, um ano», explica Manuela Cochito.

«O paciente deve ter alguma calma e esperar pelos resultados, uma vez que estamos a estimular as nossas próprias células e estas demoram tempo a produzir as fibras de colagénio e de elastina que são necessárias para readquirirmos a firmeza pretendida. Há que ter mesmo alguma paciência e disciplina no seguimento das sessões», acrescenta ainda a especialista. Uma sessão de radiofrequência no rosto pode custar 300 €. No corpo, fica-se, em média, pelos 150 €.

Veja na página seguinte: A rosácea no masculino

4. Rosácea

É realmente um problema dermatológico muito frequente de origem genética que afeta tanto homens como mulheres e que se caracteriza por derrames vermelhos na cara, calor na face com a mudança de temperatura, vermelhidão e, numa fase mais avançada, pode desencadear o chamado acne rosáceo. Nos homens, as rosáceas graves podem desenvolver-se em pápulas e pústulas e num estádio ainda mais avançado em rinofima.

Este problrma tem solução «através de cremes próprios, de comprimidos e de lasers que retiram absolutamente a vermelhidão. As sessões dependem da fase em que o paciente procura ajuda e do tipo de rosácea», adverte Manuela Cochito. O preço por sessão pode custar a partir de 150 €, dependendo da área a tratar. Pratos muito condimentados, o stress e o tabagismo podem espoletar e/ou agravar a rosácea. Evite, por isso, usar especiarias quando cozinhar, aprenda a gerir o stress e deixe de fumar.

E porque é que os homens não têm celulite?

De acordo com a dermatologista Manuela Cochito, a celulite não afeta os homens «por uma questão anatómica da disposição das fibras, a menos que exista alguma alteração hormonal», pelo que só as mulheres é que têm de se preocupar com este problema. Já no que se refere a outras marcas inestéticas, eles correm os mesmos riscos.

«Os homens que fazem muito ginásio e que têm um aumento corporal brusco ou que tomem suplementos que o favoreçam ficam mais sujeitos ao aparecimento de estrias», elucida a dermatologista. No caso das varicosidades, também se podem registar oscilações. «Há varicosidades que desaparecem no primeiro tratamento e outras que requerem mais tempo pelo que as sessões vão sendo agendadas consoante os casos», assegura a especialista.

Texto: Cláudia Pinto

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