Filho de imigrantes italianos que se transformou num empresário mundialmente conhecido, Cardin morreu esta manhã no hospital americano de Neuilly, a oeste de Paris.

"É um dia de grande tristeza para toda a nossa família, Pierre Cardin não está mais aqui. O grande estilista que foi atravessou o século, deixando a França e ao mundo um legado artístico único na moda, mas não só", afirma a família em comunicado.

"Todos temos orgulho da sua ambição tenaz e da ousadia que demonstrou ao longo da vida. Homem moderno, com múltiplos talentos e uma energia inesgotável, aderiu muito cedo aos fluxos da globalização de bens e comércio", completaram.

Pierre Cardin abriu antes de muitos outros um "posto de venda" numa loja de departamento e incluiu homens nos desfiles. Além disso, adotou um sistema de licenciamento em larga escala que assegurava a presença da marca em todo mundo. A impressão do seu nome passou a ser vista em produtos variados, que incluíram gravatas, cigarros, perfumes ou água mineral.

"O meu objetivo era a rua, que o meu nome e as minhas criações estivessem na rua. As celebridades, as princesas... isso não era meu. Respeitava-as, jantava com elas, mas não as via nos meus vestidos", dizia.

"Pierre Cardin era um homem sem dúvidas extraordinário. Para ele, a criação não tinha comportamentos, nem fronteiras entre a moda, o design ou a arquitetura. Um sopro que impulsionou a minha imaginação", disse à AFP o estilista Jean-Charles de Castelbajac, diretor de arte da marca Benetton.

"O estilista mais velho"

"Sou o estilista mais velho", disse Cardin à AFP numa entrevista em 2019, quando tinha 96 anos, na qual reconheceu que estava a preparar a sua sucessão e tinha três criadores de seu atelier para continuar a produzir roupas futuristas.

Pierre Cardin começou a trabalhar como aprendiz de alfaiate e, aos 14 anos, já sabia confeccionar os próprios desenhos. Essa habilidade rara hoje no mundo da moda permitiu-lhe traduzir as suas ideias em peças reais.

A história de Cardin confunde-se com a da moda. Formou-se na Maison Christian Dior, que abandonou em 1950 para fundar a própria empresa e, em 1953, apresentou a sua primeira coleção.

"Na Dior, aprendi a elegância, evidentemente", afirmou.

Sempre um precursor, olhou muito cedo para a Ásia, onde tinha uma grande reputação: viajou desde 1957 para o Japão, então em plena reconstrução pós-Segunda Guerra Mundial, e organizou desfiles na China a partir de 1979.

O seu "museu" pessoal, em Saint-Ouen (periferia de Paris), tem 3.500 metros quadrados destinados à moda, 3.500 metros quadrados para os móveis, e abriga quase 10.000 modelos que guardou desde o início da carreira.

"Italiano de nascimento, Pierre Cardin nunca esqueceu as suas origens, ao mesmo tempo que mostrava um amor incondicional por França", escreveu a família.

"Consagração suprema, finalmente foi o primeiro estilista a entrar para a Academia de Belas Artes, fazendo que a moda fosse reconhecida como uma arte de pleno direito", completa o comunicado.

No Instagram, a ex-modelo Carla Bruni também o homenageou. "Senhor Pierre Cardin, partiu para se unir à sua Jeanne e outros anjos...", escreveu referindo-se à atriz Jeanne Moreau, com quem o estilista teve uma história de amor por quatro anos.

"Não se trata apenas de um criador visionário, mas é também um empresário revolucionário que desaparece", afirmou o bilionário François-Henri Pinault, presidente do grupo de luxo Kering.

"Um homem de imenso talento, que soube construir um diálogo magnífico entre  Itália e França e que sempre procurou traçar um futuro ousado com uma estética futurística e inspirada", ressaltou o seu concorrente do grupo de luxo LVMH, o bilionário Bernard Arnault.

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