Crianças e pais têm muitas perguntas para as quais parece ainda não haver respostas. O que esperar do novo ano letivo e como apoiar os alunos neste regresso às atividades presenciais, são algumas das questões que mais se destacam.

Quando e como é que as escolas vão reabrir?

O arranque das aulas poderá acontecer entre os dias 14 e 17 de setembro, com três modalidades de aulas previstas: presenciais, mistas e não-presenciais, sendo que a prioridade agora são as aulas presenciais. O novo calendário escolar prevê mais dias de aulas e menos dias de férias. A interrupção letiva da Páscoa, por exemplo, será mais curta. Os horários escolares devem ser estendidos, de forma a evitar uma elevada concentração de alunos. Há também a hipótese de haver aulas ao sábado no Ensino Superior.

Apesar de mais de mil milhões de estudantes terem visto o ensino presencial suspenso devido ao novo coronavírus, nas últimas semanas, pelo menos 70 países anunciaram planos para o reencontro entre alunos e professores após o período de férias de verão. Isto, num contexto em que são já vários os países que anunciaram a chegada da segunda vaga desta pandemia... Apesar de tudo, cada pais apresentou as suas regras específicas. Como será o ensino em Portugal nesta fase? Que medidas estão previstas?

É ou não seguro o ensino presencial no atual contexto de Covid-19?

Ainda é cedo para responder a esta pergunta, contudo, é do conhecimento público que há medidas sanitárias e de controlo epidemiológico que podem ser tomadas para reduzir os riscos. Uma delas é, por exemplo, o uso obrigatório de máscara dentro da escola, no caso de se tratarem de professores, pessoal não docente, encarregados de educação e alunos a partir do 2º ciclo.

A par dessa medida, é definido que à entrada da instituição escolar, as mãos devem ser higienizadas com uma solução antissética de base alcoólica, de forma a minimizar os riscos e a não comprometer a segurança dos alunos. As janelas e as portas das salas de aula devem, sempre que possível, estar abertas, de modo a permitir uma maior circulação do ar. Cada turma deve manter-se na mesma sala e os alunos deverão permanecer sentados em lugares fixos, separados por, pelo menos, 1 metro de distância, cientes da importância da etiqueta respiratória (tosse e espirros direcionados para o antebraço).

A vigilância mais apertada dos espaços comuns e a promoção de campanhas de testes e estudos imunológicos são outras duas medidas que fazem parte das orientações e recomendações da Direção-Geral da Saúde. Estas soluções obrigam as escolas a disporem de mais recursos humanos. Um mundo novo que, já este mês de setembro, se abre para 1,5 milhões de alunos em Portugal.

Como ajudar os alunos a controlar os seus receios?

É natural que este regresso ao ensino presencial, no atual contexto de pandemia, provoque insegurança e receio a muitas crianças, habituadas, no últimos meses, a estar em casa isoladas, cumprindo regras como o distanciamento social ou outras, com as quais, todos os dias, somos confrontados na televisão e em outros órgãos de comunicação social. Voltar à escola nestas circunstâncias pode ser um desafio complicado para muitos alunos e até mesmo para os pais, receosos de ver os filhos expostos a ambientes menos controlados.

São também frequentes os relatos de queixas que revelam desconforto emocional, como é o caso de crianças que manifestam dificuldades em dormir, sentem dores no estômago e revelam ansiedade. O que fazer e o que dizer a estes alunos para os encorajar, sem que descurem, em simultâneo, a sua própria segurança? Não é tarefa fácil, mas há formas de ajudar nesta transição.

Antes de mais, é importante que a criança verbalize o que sente e que aprenda, desde cedo, a discutir as suas inquietações e preocupações. É fundamental que os pais estejam atentos aos sinais físicos e emocionais que as crianças possam apresentar.

Perceberem que a própria família também sente receio e preocupação, pode ser importante, devendo haver momentos de conversa sobre como podem lidar com esses sentimentos, favorecendo a capacidade de lidar com essas emoções e dando confiança em relação ao regresso à vida normal. Convém reforçar que o eventual medo descontrolado que os pais possam sentir do coronavírus, tende a refletir-se nos próprios filhos.

É essencial que o diálogo seja sincero, nunca subestimando a capacidade da criança percecionar o mundo à sua volta. A criança deve estar devidamente preparada e consciente na sua medida, para se proteger dos riscos em ambiente escolar - a construção dos hábitos de higiene e segurança começa em casa.

O regresso ao ensino presencial, ao convívio com os colegas e às rotinas de sempre, ainda que com cuidados acrescidos devido à atual conjuntura, deve ser encarado como algo positivo e necessário, capaz de estimular a aprendizagem e a própria evolução das crianças.

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