Há cada vez mais raparigas a frequentarem o ensino superior; há cada vez mais mulheres nos quadros superiores das empresas; há cada vez mais…  Sim, esta pode ser a época de euro para o sexo feminino em matéria de acesso à informação e de sucesso profissional, mas é também um período terrível no que toca ao seu equilíbrio como seres humanos. E as redes sociais têm uma quota parte de culpa nisso.

Rachel Simmons, consultora e autora bestseller de livros sobre educação feminina para o sucesso, diz que nunca viu miúdas tão ansiosas e inseguras como as de hoje. A norte-americana, que trabalha com raparigas há mais de duas décadas e acaba de lançar “Enough As She Is”– um manual contra o mito das supermulheres -, é perentória: “Não estou a exagerar. A qualquer lado que eu vá ouço histórias de raparigas que vivem dominadas pela ansiedade, tal é o nível de exigência que lhes foi colocado”.

A especialista recorre a um estudo da Universidade da Califórnia, feito com 150 mil alunos de 200 faculdades e universidades diferentes para revelar que “duas vezes mais raparigas do que rapazes admitiram sentir-se deprimidas com frequência ou às vezes”, sendo também em dobro os casos de miúdas que confessam sentir-se “sobrecarregadas com tudo o que têm de fazer”.

Rachel Simmons acredita que “a pressão para ser boa em tudo está a diminuir a autoestima das raparigas, tornando-as mais suscetíveis ao medo de fracassar e mais críticas em relação a si próprias. E defende que as redes sociais têm contribuído - e muito - para este cenário. “É como se além de tudo, elas tivessem uma segunda vida virtual, quase um emprego a tempo inteiro”. Isto porque, sublinha, “elas passam muito mais tempo no Instagram e no Snapchat dos que os rapazes”.

Numa entrevista à CNN, Simmons explica que, no mundo virtual, as miúdas gerem uma série de papéis – “a atleta, a estudiosa, a top model, a rainha das festas, a amiga querida e por aí adiante”. E que nunca foi exigido à mulher serem tão perfeitas em tantas tarefas. Por isso mesmo, em “Enough As She Is”, a especialista põe um ponto final nas exigências. “Chega. É preciso ajudar as miúdas a ignorarem padrões impossíveis de alcançar; elas estão a crescer como se tivesse de ser quase divinas”.

Os tempos mudaram. No seu bestseller de 2009. “The Curse of The Good Girl”, Rachel falava sobre a necessidade de ensinar as raparigas a ocuparem o seu espaço na sociedade, a serem corajosas e confiantes. Mas depois da última década a trabalhar com estudantes em campos universitários e escolas de todo o país, começou a ver que faltava integrar um elemento fundamental no seu discurso: o bem-estar, a felicidade.

“Há um profundo desencontro entre o que a sociedade exige das raparigas e aquilo que elas precisam em termos emocionais para se sentirem bem”.

A autora lembra que as miúdas são educadas desde muito cedo para depender do feedback dos outros. “Elas crescem a valorizar mais o que as outras pessoas pensam delas - e se estão a corresponder às expectativas – do que o que elas querem para si.” O problema é que “as redes sociais duplicaram essa necessidade de atingir a perfeição.

Isso resulta naquilo que Rachel define como rota de colisão. “Estamos a dar-lhes acesso a oportunidades que nunca tiveram antes. Mas não as libertámos dos velhos ‘compromissos’: serem elegantes, terem muitos amigos, etc, etc”.

Talvez por isso, Simmons diz que nos últimos tempos não parou de tropeçar em exemplos de “miúdas com ótimos resultados escolares, mas com baixa autoestima, pensamentos obsessivos e uma crença enraizada de que independentemente do que façam, isso nunca é suficiente”.

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