
De acordo com o estudo, o número de filhos por mulher no mundo passou de 4,7 em 1950 para 2,4 atualmente. Noventa e um países - localizados principalmente na Europa e no continente americano - não têm nascimentos suficientes para manter sua população atual. É o caso de Portugal, o segundo país com menos taxa de fertilidade na Europa, atrás do Chipre.
Já em África e na Ásia, a taxa de natalidade está a aumentar, segundo este estudo do Instituto de Metrologia e Avaliação em Saúde (IHME, da Universidade de Washington), organismo financiado pela fundação Bill e Melinda Gates.
O IHME compilou mais de 8 mil dados de saúde para analisar a mudança da população mundial de 2,6 mil milhões de indivíduos em 1950 a 7,6 mil milhões no ano passado.
Chipre, o país menos fértil
O Chipre é a nação com menor natalidade do planeta, com uma média de um filho por mulher, segundo dados recolhidos pelo IHME. Já no Mali, no Chade e no Afeganistão, as mulheres têm uma média de seis crianças. No Níger, o número chega a sete.
Entre os fatores socioeconómicos que explicam essas disparidades, a educação desempenha um papel particularmente importante, segundo os autores da investigação.
"Quanto mais anos uma mulher passa na escola, menos vezes ela engravida, reduzindo o número de filhos", disse à AFP Ali Mokdad, do IHME.
Melhor economia, menor fertilidade?
O investigador destaca que, normalmente, o aumento da população dos países em desenvolvimento é acompanhado paralelamente de uma melhoria do seu padrão de vida - a não ser que tenham sido abalados por guerras e outros problemas. Eventualmente, isso pode acabar por reduzir o número de nascimentos. "À medida que as economias desses países melhorarem, é provável que sua fertilidade diminua", disse Mokdad.
Já a esperança de vida mundial cresceu com o passar o tempo: de 1950 a 2018, passou de 48 anos para 71 anos em média no mundo para os homens e de 53 para 76 anos para as mulheres.
Viver mais tempo acarreta problemas de saúde específicos. Assim, doenças cardíacas costumam ser a principal causa de morte no mundo, de acordo com o IHME. "Quanto mais ricos os países ficam, menor a taxa de mortalidade por doenças infecciosas", segundo Mokdad. Por outro lado, a incapacidade decorrente da velhice está a aumentar, assim como as condições diretamente relacionadas ao estilo de vida, como a obesidade.
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