“O desvio bruto entre os dois grupos foi de cerca de 0,27 valores em 2016”, refere o estudo publicado no ‘site’ da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e da Ciência (DGEEC), adiantando que o desalinhamento acentuou-se entre 2011 e 2014.

Comparando os alunos do ensino privado com os do ensino público, o estudo dá conta que os dos cursos de Ciências e Tecnologias receberam classificações internas cerca de 0,23 valores mais altas do que os seus colegas de Línguas e Humanidades mas, posteriormente, nos exames os resultados obtidos são os mesmos.

Esta análise dá conta de uma questão recorrente na avaliação dos resultados dos alunos nos exames nacionais do ensino secundário: a suspeita de uma inflação de notas internas de acordo com os cursos ou sistema de ensino (público ou privado).

Em 2014, o Conselho Nacional de Educação alertou, no seu relatório “Estado da Educação 2013”, para a existência de escolas que inflacionam os resultados dos alunos, gerando discrepâncias entre a classificação interna (resultante do trabalho desenvolvido pelo aluno ao longo de todo o ano) e a classificação externa (nota obtida nos exames).

Em 2015 a Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) abriu quatro processos de inquérito, “para investigação mais aprofundada de indícios de responsabilidade disciplinar, detetados” em inspeções a escolas, suspeitas de inflacionarem as notas internas dos alunos.

Segundo o relatório divulgado esta terça-feira (21/02), além destas diferenças entre cursos de humanidades e de ciências há também desalinhamentos significativos entre o subsistema público e o subsistema privado independente, com desvios brutos na ordem dos 0,67 valores em 2016.

Diferenças entre concelhos ainda maiores

São ainda destacadas diferenças entre concelhos. Por exemplo, os valores apresentados mostram que, no concelho do Porto, os alunos receberam classificações internas cerca de 1,44 valores mais altas, em 2014, do que os seus colegas de Lisboa que obtiveram os mesmos resultados nos exames nacionais. O mesmo desvio fixou-se em 1,31 valores no ano de 2016.

No entanto, o estudo salienta que estes desalinhamentos entre concelhos, cursos e subsistemas, não devem ser atribuídos de forma cega e transversal a todos os estabelecimentos de ensino pertencentes a cada grupo, tratando apenas de resultados agregados ou valores médios.

O documento assinala que em Portugal os grandes subsistemas de ensino público e privado estão longe de serem realidades homogéneas e que, dentro de cada subsistema, existem grandes variações em termos das características dos alunos, professores e escolas.

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