Rui Gonçalves "está solidário" com a "luta" dos docentes, até porque, também é funcionário público, mas reconheceu que a paralisação tem impacto na rotina diária da família para saber que destino dar aos dois filhos.

"Vou chegar mais tarde ao trabalho porque tenho de aguardar para saber se há aulas ou não", afirmou o encarregado de educação que andou num "corrupio", entre as escolas dos filhos, distanciadas cerca de dois quilómetros.

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Cerca das 08:15 deixou o mais velho, de 13 anos, aluno do 8º ano, na escola Básica EB 23 de Viana Do Castelo, na Abelheira. Às 08:45 aguardava, com a filha de sete anos, aluna do terceiro ano, à porta EB1 da Avenida, em pleno centro da cidade.

"O mais velho teve aulas. Se não tivesse, como tem 13 anos, teria de ir sozinho para casa. A mais nova é mais complicado. Se não tiver aulas terá de ir para o ATL (atividades de tempos livres)", explicou.

Portas fechadas

Em dia de feira e mercado semanal, notou-se no trânsito a atividade dos encarregados de educação. Benedita Correia estacionou à porta da primária da Abelheira cerca das 08:20, mas as portas encontram-se fechadas. Abordada pela Lusa enquanto lia os avisos afixados nos vidros da entrada, admitiu que "não era surpresa". Sabia da paralisação, e concorda "Acho que os professores têm de fazer alguma coisa para melhorar a vida".

A filha, aluna do terceiro, ano "vai para os tempos livres" e só volta à escola na terça-feira porque no aviso que leu anunciava-se outra greve para segunda-feira, dos assistentes operacionais. "Para ela são miniférias. Para nó, os tempos livres são a solução", referiu a encarregada de educação.

Uns metros ao lado, na escola EB 23, às 08:31, os alunos aguardavam à porta para saber se teriam aulas. Um "impasse" que António Amorim condenou apesar de reconhecer o "direito" dos professores em paralisar.

"Esta incerteza é complicada. Vou chegar tarde ao trabalho e se não tiver aulas terei de o deixar nos meus pais", afirmou o pai do jovem, aluno sétimo ano.

Guilherme Afonso, pai de uma aluna do quinto ano, na mesma escola, "sabia" da greve, "apoia" a "luta antiga dos professores" e desvalorizou os "transtornos" da greve.

"Tem de ter impacto. Se nós não sentirmos estes transtornos a greve não tem nenhum efeito prático. Logo temos que ser solidários com a classe docente que está a ser muito mal tratada", afirmou.

Ao lado, Carla Magalhães, docente, aguardava com o filho para saber se haveria aulas. Carla aderiu ao protesto por se "recusar" a "deitar nove anos de trabalho ao lixo".

"Foram nove anos de muito trabalho muito esforço e por isso tem de ser recompensados de alguma forma" referiu a professora. "É muito estranho olhar para o meu processo e ver lá todos estes anos com um zero, relativamente ao tempo se serviço para progressão na carreira", desabafou.

Contactada pela agência Lusa, a coordenadora local do Sindicato dos Professores do Norte (SPN) referiu que "os dados recolhidos entre as 10:00 e as 10:30 indicavam uma adesão superior a 40%".

De acordo com Conceição Liquito, em Viana do Castelo, "a adesão nos vários estabelecimentos de ensino que integram os agrupamentos escolares do concelho varia entre os 20% e os 100%".

Segundo as previsões do sindicato, a greve "terá menor impacto no ensino secundário, por se tratar de uma semana de avaliações e no ensino profissional, pelo facto dos professores terem de repor as aulas afetadas pela paralisação".

A greve de professores, que sob a forma de paralisações regionais percorreu todo o país, termina hoje, com a paralisação a afetar no quarto e último dia as escolas do norte e da região autónoma dos Açores.

A tutela admite descongelar dois anos e dez meses de tempo de serviço aos docentes, mas estes não desistem de ver contabilizados os nove anos e quatro meses, embora admitam um processo faseado.

A greve foi convocada pelas dez estruturas sindicais de professores que assinaram a declaração de compromisso com o Governo, em novembro, entre as quais as duas federações - Federação Nacional de Educação (FNE) e Fenprof - e oito organizações mais pequenas.

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