
Uma guitarra de brincar analisada em Portugal apresentou, entre mais de 400 amostras, o valor mais alto de éteres difenílicos polibromados, substâncias usadas como retardadores de chamas, refere em comunicado a ZERO, que participou no estudo, que abrangeu 18 países europeus.
"São, normalmente, brinquedos adquiridos em lojas de baixo custo, de plástico preto, que, se lhes tocarmos com a unha, ouvimos aquele som que ouvimos quando tocamos em plástico de equipamentos eletrónicos", explica Susana Fonseca, da ZERO, citada pela TSF.
Altamente nocivos para a saúde
Trata-se da reciclagem de plásticos que foram anteriormente utilizados em equipamentos eletrónicos e contêm uma quantidade elevada de substâncias que representam perigos para a saúde.
"Estamos a falar de impactos sobre a tiroide, o desenvolvimento neurológico, o aumento do défice de atenção em crianças. São impactos muitos significativos em termos de saúde pública. Estamos a falar de substâncias que já estão classificadas no âmbito da Convenção de Estocolmo sobre poluentes orgânicos persistentes", acrescenta Susana Fonseca à mesma rádio.
Em 430 artigos analisado no total, cerca de um quarto continha químicos perigosos, indica a associação, que pede o fim do duplo critério da União Europeia que "permite que os plásticos reciclados possam conter concentrações mais elevadas de substâncias tóxicas do que os materiais virgens".
A ZERO enviou para análise dois brinquedos e três acessórios de cabelo e todas as amostras tinham químicos tóxicos usados como retardadores de chamas associados aos resíduos eletrónicos, que "estão a chegar ao mercado português em produtos de consumo que incorporam material reciclado".
Se os produtos analisados em Portugal fossem feitos de plástico virgem, dois deles não respeitariam a legislação europeia para a concentração de químicos nesse material.
Os retardadores de chamas bromados afetam a função da tiroide e "causam problemas neurológicos e défice de atenção em crianças", afirma a ZERO, acrescentando que costumam encontrar-se em resíduos de equipamentos elétricos e eletrónicos.
"Estão a contaminar produtos de consumo um pouco por toda a Europa através da reciclagem dos plásticos neles usados", refere a associação.
"É urgente que a UE legisle no sentido de proteger os cidadãos e promover uma economia circular não-tóxica", defende, indicando que os retardadores de chama bromados estão entre as substâncias mais tóxicas conhecidas e que "apenas a União Europeia e cinco países no mundo" admitem isenções para materiais reciclados que as contenham.
Com Lusa
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