O simples esforço físico feito pelos bebés durante a amamentação pode deixá-los com pulmões mais fortes durante a infância, sugere um estudo realizado por investigadores americanos e britânicos e divulgado pela edição online da BBC.
O estudo, realizado com crianças de dez anos de idade, descobriu que aquelas que haviam sido amamentadas por pelo menos quatro meses tinham um funcionamento muito melhor do pulmão. A pesquisa, publicada na revista académica "Thorax", sugere que diferenças na duração e mecânica envolvidas na amamentação e no uso do biberão podem ser parcialmente responsáveis.
Estudos anteriores já provaram que a amamentação protege bebés de problemas respiratórios no início da vida, mas a relação com a força do pulmão durante a infância é menos clara.
Um total de 1.456 bebés da Ilha de Wight, em Inglaterra, foram acompanhados até completarem dez anos de idade. Um terço deles foi amamentado por pelo menos quatro meses podendo, em média, essas crianças expirar mais ar de maneira mais rápida depois de inspirar profundamente. Isso mesmo foi verificado mesmo quando as mães tinham asma ou sofriam de outras alergias.
Segundo os investigadores da Universidade de Southampton, em Inglaterra, da Universidade do Estado de Michigan e da Universidade da Carolina do Sul, nos EUA, as razões para esses benefícios não são óbvias.
Estudos anteriores sugerem que substâncias presentes no leite materno podem proteger contra a asma. Mas os responsáveis pelo actual estudo dizem que as mudanças encontradas no volume do pulmão não são completamente características de uma resposta à asma, sugerindo que outros factores podem estar em jogo.
Syed Arshad, da Universidade de Southampton, defende que a explicação pode estar no esforço físico necessário para extrair leite do peito. Segundo o investigador, o esforço que os bebés precisavam fazer para mamar no peito era três vezes maior do que o usado com a mamadeira, e as sessões de amamentação duravam mais.
«O que nós estamos a fazer é bem parecido com o tipo de exercício que sugerimos para reabilitação pulmonar em pacientes mais velhos», disse Arshad. «Eu não conheço nenhum outro estudo que sugira isso».
Se isso for mesmo verdadeiro, mudanças no modelo dos biberões poderiam fazer com que elas ficassem mais parecidas com o seio, contribuindo, dessa forma, para que o efeito seja o mesmo. A equipa entrou um contato com um fabricante de biberões com propostas para criar uma que possa imitar o esforço necessário para amamentar.
Arshad disse que, actualmente, é possível testar o pulmão das crianças, o que significa que um teste para saber se um novo modelo de biberão funcionaria poderia ser concluído dentro de um ano.
18 de Novembro de 2008
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