Com a evolução do tratamento do cancro pediátrico, muitos tumores na criança são agora curáveis com a utilização, isolada ou combinada, de quimioterapia, cirurgia e radioterapia. A taxa de sobrevivência é actualmente superior a 70% para as crianças que desenvolvem tumores e há um número cada vez maior de adultos, sobreviventes de cancro pediátrico.

No entanto, as várias formas de tratamento do cancro podem despoletar efeitos secundários a longo prazo, visto que durante a infância o organismo ainda está em fase de crescimento.

As principais zonas do corpo afectadas com efeitos tardios decorrentes dos tratamentos oncológicos são o cérebro, visão, audição, dentes e mandíbulas, podendo também afectar o crescimento e desenvolvimento, problemas de tiróide, problemas cardiovasculares, sistema respiratório e desenvolvimento sexual. Durante este mês, iremos abordar todos estas zonas do corpo que podem ficar afectadas.

Cérebro
Os efeitos secundários tardios podem aparecer dois a cinco anos após os tratamentos, sendo os casos mais graves os de crianças que foram submetidas a radioterapia ao crânio e espinal-medula.

Os efeitos adversos tendem a ser mais frequentes em crianças com menos de cinco anos no período de tratamento e podem manifestar-se em problemas de aprendizagem, alterações da coordenação motora, problemas comportamentais, de concentração e de memória e crescimento mais lento.

Visão
O tratamento pode afectar a acuidade visual de várias formas, especialmente se a doença se desenvolver no olho ou nas regiões adjacentes.

Nos casos de radiação na área dos olhos é possível que surjam cataratas, alteração do crescimento do osso na proximidade dos olhos e consequentemente da forma do rosto, à medida que a criança vai crescendo.

Sistema Respiratório

Os problemas respiratórios podem ocorrer em pacientes pediátricos que foram alvo de radiação no tórax. Os efeitos a longo prazo poderão fazer-se sentir através de um decréscimo no volume dos pulmões, tosse seca, dificuldade respiratória, fibrose pulmonar e pneumonite.

 

Desenvolvimento Sexual

Nos rapazes, tanto a quimioterapia como a radioterapia podem levar à redução da produção de esperma no futuro. Mais raras são as alterações na produção de testosterona.

Nas raparigas, a utilização da quimioterapia e radioterapia abdominal pode afetar os ovários. Os riscos normalmente dependem da idade em que a criança é sujeita ao tratamento. À semelhança do que se observa nos rapazes, as raparigas que ainda não atingiram a puberdade são as menos afetadas.

A utilização de alguns fármacos específicos pode aumentar o risco de esterilidade, irregularidade dos ciclos menstruais e menopausa precoce. No entanto, é de salientar que os filhos dos sobreviventes não têm risco aumentado de malformações congénitas ou doença oncológica na infância.

Saiba mais em PIPOP - Portal de Informação Português de Oncologia Pediátrica
Projecto da Fundação Rui Osório de Castro

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