As primeiras semanas de dezembro foram complicadas de gerir emocionalmente e o Natal, como não poderia deixar de ser, mais triste. Depois da perda da amiga e colega Sara Carreira num acidente de automóvel na A1 há menos de um mês, Bárbara Bandeira vive dias particularmente difíceis. O Modern Life/SAPO Lifestyle falou com a cantora, compositora e influenciadora digital de 19 anos, semanas antes da tragédia, naquele que foi o primeiro regresso aos palcos após o desconfinamento, num evento da RFM.

Disse, em palco, que já tinha saudades de atuar para uma plateia. Como foi voltar a cantar ao vivo para um público fisicamente presente?

Isto é tudo tão estranho... Parece que já não cantava para um público há anos. Tinha tantas saudades! Há muitas pessoas que me acarinham e que eu gosto de poder abraçar. Gosto de poder olhar nos olhos e de falar com elas e, ultimamente, com a pandemia, isso não tem sido possível. O facto de ter tido essa oportunidade e da RFM me ter proporcionado este momento é muito importante para poder continuar a alimentar aquilo que, nós artistas, realmente gostamos de fazer.

Este tem sido um ano complicado e estranho para os artistas…

Sim, está a ser muito estranho. Difícil e estranho. Este seria um ano repleto de concertos. Eu tinha o Coliseu dos Recreios, tinha montes de projetos e, infelizmente, teve tudo que parar. Mas espero, tenho essa esperança, que para o ano tudo vá compensar o que não aconteceu e que todos os projetos que tínhamos para este ano sejam muito maiores e melhores para o ano que vem...

E como é que um artista vive sem projetos e sem poder fazer as coisas que faz habitualmente? No seu caso, como é que ocupa os dias?

Eu tenho ocupado os meus dias a tentar compor, a fazer músicas. A verdade é que já tenho para aí umas 40. É tanto o tempo livre para compor músicas que já nem sei o que fazer com elas. Vou-me ocupando a tocar instrumentos, a aprender coisas novas, a conhecer pessoas, a dar aquele tempo à família que não damos habitualmente... O meu pai também costuma estar fora e, estando cá, tem sido mais fácil estarmos todos juntos. Tenho-me tentado concentrar nesse tipo de coisas.

Em termos psicológicos, tem sido tranquilo ou, pelo contrário, muito complicado lidar com as restrições impostas aos artistas?

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O facto de estarmos praticamente proibidos de exercer é uma coisa que nos dá a volta à cabeça e, para mim, que estava naquela fase de ascensão, é tudo um bocadinho complicado e é óbvio que nos desanima. Mas a verdade é que, seja este ano, seja para o ano, seja daqui a dois anos, o que eu amo fazer é isto e, nas condições em que estamos neste momento, temos que tentar ser compreensivos e, quando houver oportunidade de as pessoas nos verem, é importante que elas também sejam compreensivas e percebam que este é o nosso trabalho, que é disto que nós vivemos, que é isto que nós gostamos de fazer e que precisamos do apoio delas também.

Sente alguma revolta por alguns setores terem retomado progressivamente a atividade após o confinamento e os artistas, salvo raras exceções, continuarem a estar impedidos de cantar?

É um misto de emoções... Acaba por não ser uma revolta porque eu entendo que o aglomerado de pessoas num restaurante não é o mesmo que um aglomerado de pessoas num concerto. A maneira de estar num restaurante não é a mesma maneira de estar num concerto.

Portanto, seria injusto da minha parte se estivesse a dizer que as coisas podem ser equiparadas porque a verdade é que a nossa função move massas e o resto, normalmente, não. E eu entendo isso! É óbvio que isso me deixa triste, mas temos que aceitar...

Financeiramente também é complicado…

Isto veio dar uma quebra de rendimentos a toda a gente. Vejo isso não só pela minha família como pelos meus amigos cantores. Ficámos praticamente desempregados durante um ano mas, graças a Deus, temos tido bastantes apoios da [Fundação] GDA e da SPA [Sociedade Portuguesa de Autores]. Eu tenho a sorte de ter músicas que tocaram bastante na rádio e a SPA tem-nos ajudado bastante. Para além de cantora, também sou influencer, tenho tido trabalhos com marcas e isso tem-me ajudado bastante.

As ações enquanto influenciadora digital também sofreram uma quebra com a pandemia ou nem por isso?

Sinto que as marcas estão com algum medo de apostar neste momento mas, como eu já tinha vários contratos anuais assinados, não senti muito essa quebra. E tenho uma agência maravilhosa, também, que é a Notable, que tem feito um trabalho espetacular.

O facto de uma grande parte dos portugueses passar atualmente mais tempo em casa faz com que coma mais. Há muitas pessoas que se queixam de ter engordado desde o início da pandemia, sobretudo durante o período de confinamento. Também foi o seu caso?

É verdade. Também foi o meu caso, sim. Eu sou uma pessoa que adora comer tudo o que são doces. Estava em casa e a única coisa que tinha para fazer era ver filmes e comer, o que, como é óbvio, acaba por dar mau resultado. Mas já estou na minha dieta e está tudo a correr bem...

Já recuperou a figura que exibia o ano passado nas redes sociais ou ainda vai a caminho de a recuperar?

Tenho vindo a recuperá-la, aos poucos...

E que cuidados é que tem na alimentação?

Sou uma pessoa muito, muito gulosa. Sempre gostei muito de comer doces. Está na altura de abrandar um bocadinho com isso, mesmo a pensar na minha saúde e não só no meu peso. Tenho que moderar um bocadinho os açúcares e ter atenção com as horas a que como, porque a minha vida é muito noturna. Como muito antes de dormir e, agora, tenho tomado mais atenção a isso e tem funcionado. Não só sinto que estou a perder peso como me sinto melhor. E é nisso que tenho apostado ultimamente...

Nesta fase de incerteza é difícil fazer projetos para o futuro…

Nós temos sempre projetos... É difícil termos uma previsão de quando é que eles vão existir mas estou segura de que vão concretizar-se. Tenho o Coliseu de Lisboa que vai acontecer para o ano, tenho um álbum novo para sair, tenho uma digressão para fazer… Tenho uma data de projetos que estou a começar a construir agora e que ainda não posso revelar mas este tempo em que estamos parados em casa também faz a cabecinha funcionar e eu estou nessa fase de ter ideias e de definir projetos para realizar para o ano.

Esses projetos de que ainda não pode falar têm a ver com que áreas? São dentro da música ou fora da música?

Não têm só a ver com música mas, principalmente, com tudo o que é moda. Gosto muito de apostar em tendências diferentes e em coisas diferentes e talvez me vire agora um bocadinho para a moda também.

Para quem gosta assim tanto de moda, ter uma primavera, um verão e um outono em que não se pôde sair tantas vezes de casa como antes e em que não se produziu tanto, deve ter ainda inúmeras peças de roupa em casa por estrear?

Sim, tenho imensas! Mas eu maquilhava-me para estar em casa. Acho sinceramente que os designers, neste momento, devem estar a ter tantas ideias, devem estar a inspirar-se tanto que o ano que vem vai ser o ano da música, da moda... O ano de tudo! Não quero é perder a esperança de que tudo isto vai melhorar...

Vem de uma família de artistas. Na linha do que tem feito, por exemplo, a família Carreira, existem planos par cantar com o seu pai? Tem projetos com ele?

A minha primeira música foi com o meu pai, quando tinha nove anos. Tenho muito prazer em cantar com o meu pai sempre que há oportunidade para tal. A música que fizemos há 10 anos não será a mesma que faríamos hoje mas agora, quem sabe, para um álbum dele ou para um álbum meu, podemos fazer novamente uma música.

Estamos em Avis, no Alentejo, num dos pontos de passagem da Estrada Nacional 2. Já alguma vez fez esta rota?

Acho que já. Sinceramente, venho sempre a dormir quando regresso dos concertos... [risos] Mas acho mesmo que já e, muito provavelmente, sim, já a terei feito de uma ponta à outra. E, muito provavelmente, também já passei por aqui, sim.

É uma rota que agora gostaria de fazer de autocaravana, como já admitiu publicamente…

Gostava de ter essa experiência, sim. Tenho falado muito nisso com o meu namorado, na possibilidade de pegarmos numa caravana e irmos, durante uma semana, descobrir Portugal. Não sei por onde mas, se calhar, passamos por aqui. Depois faço uma história no Instagram a dizer que passámos por aqui. É uma das ideias...

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