A voz marca-a desde sempre. Antes de descobrir a sua, ouvia a da mãe, Rosa Sanz, a voz feminina do grupo espanhol Aguaviva. O pai, o músico português Johnny Galvão, radicado em Espanha, onde Ana Galvão nasceu, trabalhou com Paco de Lucía, Paulo de Carvalho e com a dupla Miguel e André. Aos 18 anos, estreou-se na rádio. Aos microfones da Rádio Comercial da Linha (RCL). Seguiram-se a Rádio Marginal, a Rádio Expo, a Antena 3 e, por fim, a Rádio Renascença.

É lá que, atualmente, faz parceria com Carla Rocha e Joana Marques. São "As três da manhã", o programa que estrearam em fevereiro de 2019 e que, em pouco mais de um ano, se tornou num dos mais populares da emissora. Fechada em casa há mais de um mês, é na marquise que a animadora da Rádio Renascença vive, agora, diariamente, a experiência nova de fazer aquilo de que mais gosta, como admitiu em entrevista exclusiva ao Modern Life/SAPO Lifestyle.

A rádio é, assumidamente, uma das suas maiores paixões...

Adoro mesmo fazer rádio! A minha ambição é poder manter-me o máximo de tempo possível bem e a trabalhar. Para se fazer rádio, tem que se estar bem, de cabeça, sobretudo. A minha ambição é poder trabalhar o máximo dos máximos até ao fim dos meus dias, trabalhar aquilo que conseguir, a fazer rádio. É basicamente esse o meu grande projeto.

Até que a voz lhe doa, como diz o famoso fado da Maria da Fé…

Até que a voz me falhe! Até que já não consiga falar. É mesmo isso... Não trocava a rádio por nada!

"As três da manhã" estreou-se há pouco mais de um ano e tem vindo a conquistar o seu espaço. Apesar de agora estarem separadas, a trabalhar a partir de casa, têm conseguido sempre surpreender os ouvintess...

Estamos juntas desde fevereiro de 2019 e eu quero muito que este programa se mantenha porque é agora que está a crescer. Os projetos de rádio precisam de, pelo menos, um ano para se tornarem estáveis. Em fevereiro, fizemos um ano e está a correr espetacularmente bem. Somos todas muito diferentes de maneira de ser e eu acho que isso também é a magia do programa que fazemos.

Além disso, já fizemos tantas coisas. Fizemos uma digressão na rua, programas de televisão em direto... Eu fui ao Brasil. Estive lá duas semanas a emitir a partir do recinto do Rock in Rio. Tem sido tão intenso que parece que passou muito mais tempo mas o balanço é muito bom, mesmo. Estamos a ganhar audiência e as pessoas conhecem-nos cada vez mais e isso deixa-me muito feliz.

Fizeram também primeira emissão de rádio a partir de um balão de ar quente, a sobrevoar a lezíria ribatejana...

Foi a única e, que eu saiba, a primeira emissão de rádio alguma vez feita em direto em cima de um balão. Nunca antes isto se fez! Foi espetacular, sobretudo porque andar de balão de ar quente é uma experiência que eu recomendo. Mesmo que se tenha medo de voar, o cesto é muito estável.

Há ali, sempre, uma sensação de segurança. E, depois, ir contando o que se passa e o que se vê quando se está a descolar é espetacular. Eu, que adoro rádio e que adoro tudo o que são experiências contadas no ar, acho que esse programa foi maravilhoso. Foi das coisas mais giras que já fiz na minha carreira...

Ao contrário de alguns dos passageiros que vos acompanhavam, era uma das poucas pessoas que subiu para o balão de ar quente sem qualquer receio… Não é uma mulher medrosa?

Não tenho receio. Primeiro, porque já tinha andado de balão antes e, depois, porque sou destemida. Não costumo ter muito medo. À partida, acho sempre que nada vai acontecer. Depois, logo se vê... E então tentei desfrutar ao máximo!

E, depois, a sensação de medo da Carla [Rocha], a minha colega, dava-me a mim segurança. Como eu estive sempre preocupada com ela, não tive tempo para me preocupar com mais nada...

Nesse voo, durante a emissão, conseguiu desfrutar e aproveitar alguma coisa da viagem ou não se conseguiu abstrair do trabalho?

Deu para aproveitar muito! Tivemos a sorte de fazer essa manhã espetacular. A Joana [Marques] ficou em terra mas estivemos as três e, como o programa que fazemos é uma emissão muito descontraída e que vive muito daquilo que nós próprias estamos a sentir, dá para viver as coisas. A cabeça não muda porque, de repente, entrámos no ar.

Simplesmente está a acontecer o que está a acontecer. E eu tive a oportunidade de ver aquela paisagem [da região de Coruche]... Nós temos um país espetacular, mesmo muito bonito, com muita área verde e eu percebi que há muita área desabitada, o verde do campo... Ao mesmo tempo que íamos vendo, fomos contando na rádio. Foi muito giro...

Em termos de experiências mais radicais, tanto no programa como fora dele, o que é que gostava de fazer no futuro, passando o período de confinamento, para voltar a surpreender os ouvintes?

Adorava fazer coisas que, do ponto de vista técnico, são muito difíceis. Mas, no dia em que conseguirmos impermeabilizar o material técnico, adorava fazer coisas no mar. Eu faço surfe. Sou surfista já há muitos anos e sempre tive esta ideia doida de fazermos qualquer coisa no mar.

Outra ideia que tenho e que adorava que um dia fosse posta em prática, e acho que estamos cada vez mais perto de isso poder vir a acontecer, é fazermos um mês de digressão.

Todos os dias estaríamos num sítio e numa situação diferente e íamos contando aos ouvintes, como se fosse uma tournée contínua de rádio em que estamos sempre a emitir, todos os dias, a partir de de um local diferente. Esse é um sonho que eu tenho e que quero muito que, um dia, venha a acontecer.

E, sem ser em trabalho, que atividades radicais e que experiências diferentes fora da caixa é que gostava de fazer?

O meu fascínio é fazer coisas no mar. Uma das coisas que mais gostava de fazer e que ainda não fiz foi andar de submarino. Acho que nem sequer é muito possível, porque são coisas muito limitadas, até para o exército. Não é uma coisa assim tão exequível mas eu adorava, um dia, conseguir pô-la em prática. Fiz uma coisa que considero radical por causa da distância e que, na altura, também fui emitindo em rádio. Fiz o trajeto Lisboa-Badajoz em bicicleta.

Fui com um grupo de pessoas que alinharam fazer esse percurso através da rádio, convidei-as através da rádio e fomos visitando sítios. Passámos em Coruche e em Mora, que foi a etapa mais difícil do trajeto. Fomos contando tudo através da rádio e foi uma experiência espetacular, porque nós não tínhamos sítio para ficar. Íamos ficando onde parássemos. O desafio era nunca ir por estradas. Fomos sempre por ecovias, pelo meio do campo... Andámos no meio de terrenos. Foi uma aventura espetacular...

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