A APSI – Associação para a Promoção da Segurança Infantil alertou para o aumento de intoxicações com álcool gel e outros produtos de desinfeção das superfícies, pela maior utilização dada à situação de pandemia que se vive.

«Existe risco de intoxicação quando as crianças ingerem o produto e, de acordo com o CIAV - Centro de Informação Anti-Venenos (800 250 250), nos últimos meses tem havido um aumento no número de casos reportados. Felizmente, a maior parte não são situações muito preocupantes, uma vez que a gravidade varia consoante o volume de álcool no produto e a quantidade ingerida. Mas mesmo uma pequena quantidade, dependendo do peso e da idade da criança, pode ter consequências», alerta a associação.

Que riscos?

Este tipo de situações ocorrem sobretudo quando o adulto aciona o dispositivo com a criança próxima dele, ou quando esta o aciona sozinha.

Pode haver situações graves em que é necessário recorrer ao 112. Por exemplo, se a criança desmaiar, tiver convulsões, dificuldades respiratórias ou o adulto não conseguir acordá-la.

A solução é criar o hábito de guardar estes produtos logo após a sua utilização, em locais fora do alcance e da vista das crianças e que não se faça transvase para garrafas de água ou de outras bebidas.

Acidentes com dispensadores de álcool gel, verticais que se acionam com pedal ou doseadores de fácil acesso, principalmente em locais públicos, de trabalho ou em escolas, também chegaram ao conhecimento da APSI.

O orifício por onde sai o álcool fica acima ou à altura da cara das crianças, havendo risco de o líquido atingir diretamente os olhos, provocando lesões, como por exemplo queimaduras da córnea que podem exigir tratamento hospitalar.

Testemunho de uma mãe

“Estava cheia de pressa para deixar o meu filho e como habitualmente quando entramos em algum espaço desinfetamos as mãos. Coloco sempre o gel nas minhas mãos e desinfeto as do Afonso, mas naquele dia pedi-lhe que pusesse as mãos por baixo do frasco e carreguei. Saltou diretamente para o olho dele. Lavamos imediatamente, mas o mal estava feito. Aguardamos, lavagens sem conta com soro, acabamos nas urgências, resultado - lesão de 3mm na córnea. Após esse episódio já me dei conta que em todos os locais a altura dos recipientes de álcool está mesmo à altura da carinha dele e é um perigo!!!”

Ana Mendes é mãe de Afonso, que já está recuperado. A partilha deste testemunho pela APSI  vem lembrar que, e de acordo com as indicações desta associação, o gel desinfetante só deve ser utilizado quando não há hipótese nenhuma de as crianças lavarem as mãos com água limpa e sabonete ou sabão, durante pelo menos 20 segundos, respeitando os procedimentos da DGS.

Caso seja necessário utilizar álcool gel fora de casa, o adulto deve desinfetar primeiro as suas próprias mãos, e só depois, com elas já desinfetadas, deverá retirar e colocar nas mãos da criança a quantidade de gel necessária, ensinando-a a esfregar bem toda a superfície até que a pele esteja seca.

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