Na praia de Santa Cruz, em Torres Vedras, no distrito de Lisboa, o casal Manuel e Lídia Nascimento passou anos a recolher lixo nas suas caminhadas pela praia e, em abril deste ano, criou nas redes sociais o projeto “Mar à Deriva” (em inglês “Adrift Sea”), para influenciar outros cidadãos.

“Já fazemos isto há muitos anos, é o nosso modo de vida”, contam à agência Lusa, acrescentando que às suas iniciativas já se juntam amigos e, nos últimos meses, desde que criaram o projeto nas redes sociais, outros cidadãos seus desconhecidos.

“Há pessoas mesmo sozinhas já a apanhar lixo e é contagiante”, salientam, referindo que há pessoas a enviar-lhes mensagens a pedir para participar quando houver limpezas de praias.

Habituado a ir à praia todos os dias, o casal afirma que “antes não dava à costa tanto lixo” como agora, sendo que “as marés de inverno trazem muito lixo, sobretudo artes de pesca”.

“Para mostrar às pessoas o que se está a passar nos oceanos”, o casal passou a reaproveitar esses resíduos e a criar instalações artísticas, que dentro em breve vão estar expostas no Centro de Educação Ambiental de Torres Vedras.

Tudo serve para dar largos à imaginação, desde pedaços de artes de pesca, esqueletos de cavalos marinhos, tampas de refrigerantes, cotonetes, isqueiros e até brinquedos de crianças perdidos na areia, alguns dos quais contam história de uma determinada época, como os brindes dos gelados rajá que eram oferecidos na década de 60 do século passado.

Recentemente, transformaram covos da apanha de polvos em cinzeiros, que estão a instalar nas praias de Santa Cruz para incentivar os seus frequentadores a lá deixarem as beatas de cigarros e a adesão tem sido grande, como relataram nas redes sociais.

Na Lourinhã, durante todo o ano, o bar da praia do Areal fornece baldes e luvas para todos os voluntários que queiram apanhar lixo na praia e oferece-lhes em troca um café, uma bebida ou até um brinquedo, no caso das crianças.

A iniciativa “é muito importante sobretudo fora da época balnear” quando desce o número de funcionários do estabelecimento, diz a gerente Silvina Lopez à agência Lusa, adiantando que, “a `nível de custos, não representa nada” para o negócio.

“Não queremos só explorar o bar, temos um compromisso durante os 365 dias do ano de contribuir para a limpeza da praia e para salvar o oceano, porque o lixo marinho é um dano irreversível”, explica.

Durante o mês de agosto, foram cerca de duas centenas de pessoas as que se prontificaram a colaborar, à média de 10 por dia.

Em agosto, a marca de refrigerantes Sumol percorreu nove praias do país, desde o norte ao sul, a incentivar os cidadãos a limpar os respetivos areais, oferecendo em troca uma aula de surf.

Para tal, os participantes tinham apenas de entregar resíduos recolhidos no areal da praia e fazerem a devida separação nos ecopontos.

Dezenas de ações de limpezas, quer em espaços de cidades e vilas, quer nas praias, realizam-se no domingo por todo o país, no âmbito da iniciativa “Mãos à obra - Vamos Limpar Portugal”.

Hoje assinala-se o Dia Internacional da Limpeza Costeira, bem como o Dia Nacional da Limpeza de Praia.

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