Importa saber que, sempre que temos uma cicatriz, ela não irá desaparecer. No entanto, quando as cicatrizes são bem planeadas (cicatrizes cirúrgicas), os tecidos são bem manipulados e a arte técnica é realizada com mestria, aumentando a probabilidade de se obter uma cicatrização mais favorável.

De maneira simplista, podemos pensar que a técnica cirúrgica corresponde a 50% do trabalho efectuado, e que o cuidado pós-operatório tem tanta ou mais importância para o resultado final da cicatriz. Existem alguns protocolos devidamente estabelecidos e existe alguma evidência científica que apoia a utilização de alguns produtos em relação a outros. Como prática habitual, aconselho a massagem das cicatrizes e a utilização de pensos de silicone. Em casos selecionados, opto pela realização de PDL (Laser luz pulsada) ou pela realização de tratamento com injectáveis, com corticoesteróide ou outro agente terápico.

Seguindo um bom protocolo e realizando as medidas aconselhadas em consulta, atingimos a maior probabilidade de obter uma cicatriz linear, sem alterações da pigmentação e não dolorosa.

Que fatores influenciam a cicatrização/resultado final da cicatriz?

Os principais factores que influenciam a cicatrização estão relacionados com a genética da própria pessoa. A cicatrização anormal, associada às cicatrizes hipertróficas e/ou quelóides é mais comum em pessoas com tonalidade de pele mais escura (maior espessura de derme) e em Africanos. O maior factor de risco para poder ter este tipo de cicatrizes, é a existência prévia de cicatrizes hipertróficas ou quelóides, sendo por isso fundamental falar com o seu Cirurgião Plástico sobre toda e qualquer cicatriz que tenha para poder prever a evolução natural das suas cicatrizes.

Além disso, temos factores que conseguimos controlar - o local de incisão (sendo que existem zonas mais propensas a cicatrizes patológicas) e a técnica cirúrgica têm uma importância extrema para a qualidade das cicatrizes. Realizando uma boa consulta e criando uma relação de confiança com o seu médico é fundamental para obter bons resultados.

Quais são os tipos de cicatriz existentes e as suas características?

Existem vários tipos de cicatrizes, e alguns tipos a evitar. As cicatrizes alargadas, hipertróficas e quelóides são 3 subtipos que tentamos sempre evitar ou, caso já existam, propomos a sua correção. Sendo a primeira - cicatriz alargada - bastante intuitiva e de fácil percepção, as restantes geram alguma dúvida e estão associadas a alguns mitos. Tanto as cicatrizes hipertróficas como as cicatrizes quelóides são entidades mal-adaptadas no espectro da cicatrização. São facilmente identificadas pela sua largura, espessura ou cor. A principal diferença está relacionada com os limites da cicatriz - no caso das cicatrizes quelóides, a cicatriz ultrapassa de forma clara a cicatriz, formando um conglomerado cicatricial que levanta vários problemas estéticos. Além disso, este tipo de cicatrização patológica, está associado a sintomas que diminuem bastante a qualidade de vida, tais como dor e/ou prurido (comichão).

É importante reter: Sempre que existe uma agressão à porção mais profunda da derme, existe risco de perpetuar uma cicatriz; Aconselhe-se com o seu Cirurgião Plástico e trace um plano de tratamentos, para que a existência de uma pequena cicatriz linear não seja impeditivo de avançar para qualquer tipo de procedimento cirúrgico.

Um artigo do médico Rúben Malcata Nogueira, especialista em Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética.

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