A aluna de doutoramento Janine Heutschi, da Escola Politécnica Federal de Lausanne, Suíça, apresentou hoje no Porto o seu projeto de investigação que, embora numa “fase embrionária”, traz esperança a quem sofreu lesões da espinal medula.

Oradora da primeira palestra da sétima edição do Young European Scientist Meeting (Yes Meeting), organizado por um grupo de alunos da Faculdade de Medicina do Porto, Janine Heutschi explicou que as lesões medulares, que até hoje são praticamente sinónimo de incapacidade e morbilidade, poderão no futuro ser restauradas.

Embora numa “fase embrionária do processo” e dirigida a “lesões muito específicas”, a cientista verificou a capacidade de acordar uma medula, restituindo-lhe função.

No estudo, recentemente publicado na revista Science, a cientista “dá conta da extraordinária capacidade de regeneração em ratos previamente paralisados que, segundo determinados estímulos, se tornaram capazes de andar ou até mesmo subir escadas”.

O Yes Meeting, que decorre na Faculdade de Medicina do Porto até terça-feira, conta com a participação de cerca de 400 alunos, de 38 nacionalidades.

“A grande maioria são estudantes de medicina portugueses, mas o nosso objetivo é inverter esta tendência e atrair cada vez mais alunos estrangeiros”, disse à Lusa Tiago Magalhães, presidente da organização do Yes Meeting.

Este aluno, a frequentar o quinto ano do curso de medicina, explicou que estes encontros têm também como objetivo “incentivar” os alunos portugueses a dedicarem-se à investigação científica em várias áreas.

Do programa do encontro, Tiago Magalhães destacou uma sessão sobre diabetes (sábado) que contará com Jan Bruining, considerada uma das figuras mais importantes na área da Diabetes Pediátrica.

“Foi pioneiro na descoberta da importância dos anticorpos na diabetes I e da hemoglobina glicada (é o método mais fiável e mais utilizado mundialmente para determinar o grau de complacência com a terapêutica e o controlo glicémico). Foi também responsável pela introdução das bombas de insulina em crianças ainda na década de 1980”, sustentou.

Haverá também um simpósio sobre Cirurgia Plástica e Reconstrutiva, com Angus McGrouther (Hospital Universitário do Sul de Manchester) como orador convidado. O especialista estuda de que forma a Medicina Regenerativa (criação de tecidos humanos em laboratório) poderá abrir portas para uma nova era na Cirurgia Plástica e Reconstrutiva.

O programa do encontro integra ainda uma sessão sobre Medicina Reprodutiva que conta com Isabelle Demeestere (Universidade Livre de Bruxelas).

Diretora de um serviço de Medicina de Reprodução, Isabelle Demeestere é uma das pioneiras em preservação e transplantação de tecido ovárico, técnica que oferece uma esperança às mulheres que desejam engravidar mesmo depois de terem sido submetidas a quimioterapia intensiva, potencialmente destrutiva do tecido ovárico.

Os participantes vão também apresentar os trabalhos científicos que desenvolvem nas suas universidades, nas áreas de Fisiologia e Imunologia, Neurociências, Oncologia e Biologia Molecular, Medicina Interna e Cirurgia, sujeitando-os à avaliação dos investigadores seniores.

Dentro de cada área haverá um prémio para o melhor poster, tanto para estudantes pré-graduados como pós-graduados, melhor apresentação oral e melhor apresentação na sessão plenária.

14 de setembro de 2012

@Lusa 

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