Em entrevista a propósito do Dia Mundial da Malária, que se assinala na segunda-feira, o investigador Henrique Silveira, do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) contou que o projeto já tem o apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e as obras deverão arrancar ainda este ano.

"A grande vantagem deste insectário é que será o único da Península Ibérica e o quarto ou quinto da Europa", disse o investigador.

A malária é uma doença que pode ser fatal, provocada pelo parasita do género Plasmodium, transmitido aos humanos por uma picada da fêmea do mosquito Anopheles.

Existem vários tipos de plasmódios, mas apenas alguns provocam malária nos seres humanos.

Atualmente, por motivos de segurança, os cientistas apenas podem trabalhar com insetos infetados com o parasita que não provoca a doença nos seres humanos, o que fornece algumas respostas importantes, mas "não é exatamente a mesma coisa", explicou Henrique Silveira.

Com o insectário de alta segurança, acrescentou o investigador, será possível "infetar artificialmente com patogénios humanos, de forma segura para o pesquisador e o ambiente, mosquitos com malária humana", permitindo que os resultados diretamente aplicáveis à malária humana "saiam mais rapidamente".

O edifício onde o insectário irá ser instalado já existe e está pronto o plano arquitetónico para alterá-lo, de forma a garantir todas as medidas de segurança.

O projeto aguarda agora o financiamento da FCT para arrancar. O orçamento apresentado pelo IHMT à FCT foi de um pouco mais de 800 mil euros, mas o valor final de financiamento ainda não foi aprovado pela fundação, informou o instituto.

Segundo o roteiro da FCT para as infraestruturas de investigação, este insectário, formalmente identificado como 'In Vivo Arthropod Security Facility (VIASEF)', visa permitir aos investigadores dos países da Europa, do Mediterrâneo e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) um equipamento em que possam desenvolver estudos 'in vivo' com insetos vetores, nomeadamente para estabelecer os ciclos de transmissão das doenças humanas transmitidas por vetores.

O IHMT tem em curso outros projetos na área da malária, nomeadamente para identificar os mecanismos de transmissão, para se perceber como esta pode ser interrompida; para compreender as resistências aos anti maláricos; ou sobre os mosquitos vetores, para perceber a sua genética ou o seu comportamento.

Em novembro, uma equipa liderada por Henrique Silveira recebeu uma bolsa da Fundação Bill e Melinda Gates cujo objetivo é desenvolver uma refeição sanguínea artificial que permita produzir mosquitos Anopheles em grandes quantidades para a investigação.

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