Na sequência da demissão de seis internistas que eram chefes de equipa do Serviço de Urgência Polivalente (SUP), pedida no dia 16, realizou-se uma reunião com a direção clínica do Centro Hospitalar Tondela Viseu, na quarta-feira, que, segundo Carlos Cortes, “não correu muito bem”.

De acordo com informações que recebeu de médicos presentes na reunião, “a direção clínica manteve a inflexibilidade e o serviço (de Medicina Interna) continua a entender que as soluções técnicas que estão a ser impostas não fazem sentido”, contou.

Contactado pela Lusa, o Centro Hospitalar Tondela Viseu não prestou declarações sobre a reunião.

Os médicos que pediram a demissão são seis de um total de 18 (de várias especialidades) que têm funções de chefe de equipa do SUP do hospital de Viseu. No pedido de demissão, alegaram não poderem manter a acumulação de funções de chefia com a atividade assistencial.

Carlos Cortes disse à Lusa estar muito preocupado com a situação do Serviço de Medicina Interna, que quer que seja rapidamente resolvida.

“O serviço está a fazer um documento, que será remitido à Ordem. Vou intervir muito rapidamente nesta questão”, garantiu.

Segundo o presidente da secção regional do Centro da Ordem dos Médicos, “estão a sair vários profissionais de muitas especialidades” do hospital de Viseu, não apenas de Medicina Interna.

Na semana passada, em conferência de imprensa, a diretora clínica do Centro Hospitalar Tondela Viseu, Helena Pinho, garantiu que a demissão dos médicos não afetou a prestação dos cuidados aos doentes.

“Foram imediatamente substituídos, não houve qualquer hiato na prestação de serviços, não há nenhum caos na urgência”, afirmou.

Helena Pinho referiu que o pedido de demissão teve na origem “uma discordância com a direção clínica sobre decisões de quem vê o quê dentro do serviço de urgência”.

A diretora clínica explicou que tem estado a ser feita “uma reorganização interna do trabalho”, havendo neste momento “uma equipa fixa na sala de emergência que não é constituída por elementos do Serviço de Medicina Interna e que faz a primeira abordagem” dos doentes.

“Ao contrário do que os colegas afirmaram, neste momento os doentes mais complexos são vistos durante o período do dia, por essa equipa da sala de emergência”, frisou, acrescentando que, por outro lado, tem havido “uma diminuição acentuada de idas à urgência desde janeiro”.

A responsável disse que a redefinição “implica que eles fiquem com algumas patologias que em todos os outros hospitais são vistas por internistas” e que no hospital de Viseu eram vistas pelos cardiologistas.

“Nós tivemos que criar, por desígnio nacional, equipas de cuidados paliativos intra-hospitalares e um serviço de hospitalização domiciliária, o serviço de cuidados intensivos tinha poucos médicos, não se conseguia fazer a escala, e tivemos que criar uma escala para a sala de urgência”, explicou.

No entanto, “os internistas não foram desviados” para outros serviços, eles “optaram por trabalhar nessas áreas, e bem, já que a Medicina Interna é a especialidade mais abrangente e que melhor vê o doente na sua totalidade”, acrescentou.

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