O conhecimento dos portugueses sobre o cancro deve-se mais aos meios de comunicação e aos familiares e amigos do que aos profissionais e instituições de saúde, segundo um estudo a divulgar hoje em Albufeira, no 12º Congresso Nacional de Oncologia.

O estudo - “Grau de conhecimento, perceções e comportamentos face às doenças oncológicas” -, da Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO), indica que a televisão surge como a fonte primordial para conseguir informações sobre as doenças oncológicas, seguindo-se os familiares e amigos, os jornais, a internet e os folhetos informativos.

Os centros de saúde e hospitais são fontes de informação sobre os cancros para 30,3 por cento dos inquiridos, enquanto os profissionais de saúde são fonte para 29 por cento dos que participaram no inquérito.

Quase 60 por cento dos inquiridos afirmaram que não costumam pesquisar proactivamente informações sobre cancros. De entre aqueles que pesquisam (41,1 porcento), a internet constitui o principal meio de referência, sendo mesmo utilizado por mais de três quartos destes inquiridos.

O estudo – que foi realizado com base em 1.281 inquéritos – revelou ainda que “os portugueses têm uma ideia desfasada da realidade oncológica nacional”.

Apesar de se considerarem “muito bem”, “bem” e “razoavelmente informados” sobre as doenças oncológicas (70,8 por cento), quando questionados sobre quais os tumores com maior incidência em Portugal os inquiridos apontaram o cancro da mama como o mais frequente (46,4 por cento dos inquiridos), seguido do cancro do pulmão (15,4 por cento), colorrectal (6,2 por cento), leucemia (4,8 por cento), cancro da próstata (3,4 por cento), do colo do útero (2,7 por cento), da pele (dois por cento), linfoma (1,5 por cento) e cancro da tiróide (0,3 por cento).

Isto apesar de os dados do Registo Oncológico Nacional de 2005, referentes aos tumores com localizações comuns aos dois sexos, concluirem que o mais frequente é o cancro colorrectal (com uma taxa de 42,76 por 100 mil pessoas/ano), seguido dos cancros de mama (40,67/100 mil), da próstata (34,20/100 mil), pele (20,12/100 mil), brônquios e pulmão (20,10/100 mil) e estômago (19,93/100 mil).

Para o presidente da SPO, Ricardo da Luz, o facto de o cancro da mama ser reconhecido pelos portugueses como o mais frequente a nível nacional “deve-se às inúmeras campanhas de sensibilização para a deteção precoce deste tumor, da responsabilidade das diversas associações que entretanto foram criadas, e bem, para este efeito”.

O inquérito concluiu ainda que existe uma “deficiência de informação dos portugueses sobre as doenças oncológicas”, com 88,1 por cento dos indivíduos a acreditar que se pode evitar o aparecimento de tumores malignos.

“É evidente a confusão entre prevenção da doença – que evita o aparecimento – e a possibilidade de deteção precoce de cancro, a qual evita que haja um diagnóstico em fases avançadas, que se associam, geralmente, a um pior prognóstico”, lê-se nas conclusões da investigação.

Apesar da população inquirida acreditar que existem cancros que podem ser evitados, um em cada três inquiridos assumiu não adotar medidas preventivas, conclui ainda o estudo.

14 de novembro de 2011

@Lusa

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