Com a população a envelhecer e o aumento dos casos de solidão entre os idosos, investigadores da Universidade de Trás-os-Montes e Alto (UTAD), em Vila Real, estão a desenvolver soluções que visam aumentar a autonomia dos mais velhos, a sua saúde e bem-estar.

António Cunha, docente do Departamento de Engenharias da UTAD, afirmou hoje à agência Lusa que, entre os projetos está a monitorização automática na alimentação de idosos, recorrendo à inteligência artificial.

No âmbito deste trabalho, foi implementado um protótipo demonstrativo para detetar e classificar gestos de alimentação, tendo sido testado com gestos de oito utilizadores diferentes.

Segundo explicou o responsável, os gestos ajudam a estimar a quantidade de comida ingerida e o sistema permite vigiar se a pessoa está a comer menos do que o normal e lançar alertas para desvios de padrão.

O investigador referiu que foram usados 689 gestos para teste de deteção, organizados em três grupos principais: comer sopa, comer prato principal e beber, produzindo-se uma percentagem de taxas de deteção e classificação que permitem caracterizar a alimentação de um idoso no seu ambiente natural.

Neste quadro, os investigadores propõem um sistema de monitorização automática de alimentação, pensado para a pessoa idosa no seu ambiente natural, que analisa as articulações do esqueleto humano fornecidas pelo sensor “microsoft kinect” dirigido para uma mesa como cenário proposto, deteta os gestos de alimentação, classifica-os com modelos ocultos de “markov” e estima a alimentação do utilizador.

Após um estudo prévio para avaliação da alimentação usando aquele sensor concluiu-se que é possível realizar a respetiva monitorização num cenário em que o idoso vive sozinho e toma as suas refeições sentado em frente a uma mesa situada ao alcance do sensor.

Este trabalho conta com a colaboração de Paula Trigueiros, da Universidade do Minho, e possibilitou a realização do trabalho de mestrado em engenharia informática de Luís Filipe Macedo Costa.

António Cunha referiu que esta solução poderá ser utilizada por familiares ou cuidadores dos idosos, bem como instituições que prestam apoio domiciliário a esta camada da população.

Com o envelhecimento, as pessoas vão perdendo capacidade como a visão ou a memória.

Por causa disso, o investigador disse ainda que está a ser desenvolvida na UTAD uma aplicação para telemóveis que permite indicar os percursos, por exemplo o regresso a casa, e que ao mesmo tempo permite saber a localização do idoso caso ele se perca, se desvie do trajeto normal ou esteja a fazer esse mesmo trajeto a horas não usuais.

Outro trabalho está relacionado com a toma dos medicamentos. Segundo António Cunha, está a ser criado um protótipo que permite, através da câmara fotográfica de um telemóvel, identificar o medicamento e, ao mesmo tempo, identificar também para quem foi receitado o medicamento e para que tratamento.

O investigador salientou que a linguagem a usar nesta aplicação será acessível para toda a gente.

O objetivo dos projetos é ainda evitar a institucionalização dos mais velhos, ou porque muitos preferem permanecer nas suas próprias casas ou porque os custos dessa mesma institucionalização são muito elevados.

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