Em declarações à agência Lusa, o secretário da plataforma ambiental Stop Uranio, José Sánchez, disse que espera o apoio dos portugueses para travar uma exploração mineira a céu aberto de urânio, "muito próxima" da linha transfronteiriça que delimita a província de Salamanca (Espanha) e os distritos portugueses de Bragança e Guarda.

A Plataforma espanhola Stop Uranio “não esquece” as lutas travadas por portugueses e espanhóis, há cerca de 35 anos, contra a instalação de um cemitério nuclear em Aldeia d' Ávila (Salamanca), a intenção de construção de uma central nuclear em Sayago (Zamora) ou, mais recentemente, a reclamação do fecho da central nuclear espanhola de Almaraz (Cáceres).

"Estamos a falar de um território incluído na Rede Natural 2000, e muito próximo de uma das portas de entrada do Parque Natural do Douro Internacional. O ambiente a qualidade de vida das populações raianas vão ficar muito prejudicados, caso a exploração mineira avance", frisou o ambientalista.

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A preocupação acentua-se por, conforme dizem, estar prevista uma concentração de resíduos com "alto teor" de urânio provenientes de toda a Espanha e que serão colocados em contentores ou outras formas de armazenamento.

"Em caso de rutura podem prejudicar a bacia hidrográfica do rio Douro", assinalam.

José Sánchez indicou que "há dois cursos de água que atravessam o território onde vai ser instalada a exploração mineira de urânio que vão desaguar no rio Douro, junto ao território de Saucelle (Espanha) e Freixo de Espada a Cinta (Bragança), a jusante da barragem espanhola de Saucelle".

Segundo os opositores à exploração mineira, outra das implicações negativas do projeto passa pelo abate de 25 mil árvores de crescimento lento, que estão plantadas numa área com uma extensão de cerca de 27 quilómetros, onde a empresa espanhola Berkeley Minera España, SA, tem intenção de abrir a mina para a exploração de urânio.

Segundo documentos a que agência Lusa teve acesso, a instalação mineira conta com Declaração de Impacto Ambiental favorável, aprovada pela Conselharia de Fomento e Meio Ambiente da Junta de Castela e Leão, datada de 08 de outubro de 2013.

Os ambientalistas e representantes do municípios espanhóis abrangidos pelo projeto mineiro garantiram que já recorreram para instâncias europeias, por aquele se encontrar em zonas de proteção especial, como a Rede Natura 2000.

Por seu lado, o presidente da câmara da Associação de Municípios Ribeirinhos do Douro, Artur Nunes, avançou que já houve algumas “guerras” anteriores em Sayago e Aldeia d' Avila, durante as quais se verificou uma “forte união” dos povos da raia contra os projetos.

"Esta situação já foi dada a conhecer na última assembleia-geral do Agrupamento Europeu de Cooperação Territorial Duero-Douro pelos vizinhos espanhóis. Estamos preocupados em salvaguardar as águas do rio Douro da eventual contaminação por urânio e tememos que a mesma possa trazer implicações para o Norte de Portugal", enfatizou o também presidente da câmara de Miranda do Douro.

Outro dos apelos à “união dos territórios transfronteiriços ibéricos” chega do através do alcaide de Boada, que revela “muito apreensão” em relação ao futuro económico e social do seu território.

"Em vez do nos apresentaram projetos sustentáveis, apresentam-nos projetos como a exploração mineira de urânio, aproveitando-se da crise que o país atravessa", concluiu.

Em nota envida à agência Lusa, também o Partido Ecologista "Os Verdes" diz ter interpelado o Governo português sobre os impactes ambientais e de saúde pública transfronteiriços que poderão advir da instalação de uma unidade de processamento de urânio na província espanhola de Salamanca.

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