"Revogando esta decisão, [o CHUC] vai colocar em causa um conjunto de circunstâncias da vida pessoal de quem tem atribuído esse tipo de horário, o que, ironia das ironias, em vésperas do 08 de março, é um ataque frontal aos direitos de parentalidade", considerou.

Segundo Paulo Anacleto, a questão da aplicação dos direitos de parentalidade "entronca na carência estrutural de profissionais, não só no Hospital Pediátrico, mas em todo o CHUC".

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Só no Hospital Pediátrico, disse, as dívidas de horas extraordinárias aos enfermeiros corresponde a 2.300 dias, o equivalente a "seis anos de trabalho".

"Isto é sinónimo de que os direitos estão cada vez mais em causa, resultante daquilo que é a carência estrutural de enfermeiros, no Hospital Pediátrico, no Hospital dos Covões e em todo o CHUC, em que as dívidas aos enfermeiros rondam as cerca de 100 mil horas", sublinhou.

Dívidas foram acumuladas no ano passado

De acordo com o presidente da secção regional do SEP, as dívidas foram acumuladas durante o ano de 2017 e "deviam ter sido pagas até 31 de dezembro de 2017".

"E não sou eu que o digo. É o próprio ministério que emanou uma circular normativa para todas as instituições do SNS para que pudessem fazer o pagamento faseado até dezembro do ano passado, mas o facto é que a dívida permanece e se vem acumulando sem fim à vista", frisou.

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Segundo o sindicalista, a administração do CHUC disse que até junho de 2018 iria pagar uma parte da dívida: "Mas nós já ouvimos e lemos esta história muitas vezes e a dívida continua na mesma e a aumentar, sem solução à vista".

Para Paulo Anacleto, a situação só se resolve com afetação de mais de 200 enfermeiros para o CHUC, que é o número em falta.

"Se entrassem hoje 200 enfermeiros no sistema, obviamente que muitos problemas seriam resolvidos", salientou o dirigente, que exortou a administração do CHUC a pressionar a tutela para avançar com a contratação.

Caso não se avance na contratação imediata de enfermeiros e no pagamento da dívida àqueles profissionais, o sindicato pode avançar com ações de luta e agir judicialmente, explicou ainda o presidente da secção regional do SEP.

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