Para quando?

Depois de anunciados neste mês resultados promissores de quatro projetos de vacinas - da aliança Pfizer/BioNTech, da Moderna, da AstraZeneca/Universidade de Oxford e do instituto russo Gamaleya -, muitos países começaram os preparativos para as campanhas de vacinação, que devem começar após a autorização das autoridades de saúde.

A Agência Europeia dos Medicamentos (EMA) indicou à AFP na segunda-feira que as primeiras vacinas podem ser aprovadas no fim do ano ou no início de 2021.

Este calendário coincide com os planos de países como Espanha, Itália e França, assim como de vários países da América Latina.

O México, por exemplo, poderia receber em dezembro as primeiras vacinas da Pfizer/BioNTech e a Argentina planeia iniciar em janeiro a vacinação. O Peru prevê a vacinação de 24,5 milhões de adultos antes de abril de 2021.

O governo dos Estados Unidos pretende ir mais rápido e começar a campanha em dezembro, assim que receber a aprovação da Agência de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês).

As autoridades chinesas aprovaram o uso emergencial de algumas das suas vacinas.

Os prazos foram possíveis, graças à aceleração dos procedimentos de pesquisa, produção e avaliação, apoiados por financiamentos colossais, que reduziram o tempo médio de desenvolvimento e comercialização de uma vacina de dez anos para um.

Mas foram aplicados os "mesmos padrões regulatórios elevados de qualidade, segurança e eficácia", segundo a EMA.

Para quem?

"Em um primeiro momento, a quantidade de vacina será limitada, e os profissionais de saúde, pessoas mais velhas e outros grupos de risco terão prioridade", afirmou o diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O acesso dos países pobres, que não têm os mesmos recursos financeiros nem logísticos que os ricos, pode resultar num problema, sobretudo nos primeiros meses.

Numa tentativa de garantir uma distribuição equitativa, a OMS criou a iniciativa Covax, que reúne governos, cientistas, sociedade civil e setor privado.

A Covax permitiria, por exemplo, aos países participantes, como o Japão e Reino Unido, fornecer doses aos países pobres através dos seus acordos de compra com os fabricantes.

Qual é a melhor?

É impossível saber qual das vacinas anunciadas até agora é melhor, pois nenhum laboratório publicou os detalhes científicos até ao momento.

Todos os resultados baseiam-se na última etapa dos testes clínicos, a fase 3, com dezenas de milhares de voluntários divididos em dois grupos: os que receberam a vacina e os que tomaram um placebo.

Os dados foram divulgados quando se atingiu um número determinado de pacientes com COVID-19: 95, no caso da americana Moderna; 170, para a aliança teuto-americana Pfizer/BioNTech; 131, para o projeto europeu AstraZeneca/Oxford; e apenas 39, para o russo Gamaleya.

A Pfizer/BioNTech anunciou uma eficácia de 95%, entre 170 doentes: oito pertenciam ao grupo vacinado, e 162, ao grupo placebo. Quase o mesmo para a Moderna, com 94,5% de eficácia (5/90). A vacina russa Sputnik V alcança 91,4%.

AstraZeneca e Oxford anunciaram uma eficácia média de 70%, segundo dois protocolos diferentes. O nível chegou a 90% entre os voluntários que primeiro receberam meia dose e, 30 dias depois, uma dose completa da vacina. O resultado caiu para 62% entre o grupo que foi vacinado diretamente com duas doses completas.

Oxford revelou que a administração de meia dose aconteceu por erro, numa fase inicial dos testes. Mas quando o facto foi descoberto, o fabricante, de acordo com os reguladores, decidiu dar a mesma quantidade a 3.000 voluntários que participaram na fase 3, antes de dar uma segunda dose completa. Portanto, este método mais eficaz teria sido descoberto por acaso.

Mas a eficácia não é tudo: a vacina da AstraZeneca, por exemplo, é a mais barata (menos de 3 euros a dose), enquanto as da Moderna e Pfizer/BioNTech têm o inconveniente de precisarem do armazenamento a baixa temperatura (-20ºC a primeira, -70ºC, a segunda).

O que resta saber?

Uma das questões mais importantes é saber durante quanto tempo as vacinas conferem proteção, pois os resultados baseiam-se em dados recuperados entre uma e duas semanas após a última injeção.

Também não se sabe se todas as vacinas são igualmente eficazes para os grupos de risco, como os idosos, mais suscetíveis a sofrer as formas graves da COVID-19.

Outra questão pendente é determinar se a vacina impede a transmissão do vírus, além de reduzir a gravidade da doença entre os vacinados, o que seria determinante para travar a pandemia.

Finalmente, embora os testes não tenham revelado nenhum efeito secundário considerável, é necessário um "acompanhamento contínuo" para assegurar que "não acontecem efeitos indesejáveis excepcionais, porém mais graves no seu uso em larga escala", de acordo com Penny Ward, da King's College de Londres, citada pelo organismo Science Media Centre.

Quantos projetos em curso?

A OMS anunciou a 12 de novembro 48 projetos de vacina no mundo que são objeto de ensaios clínicos em humanos.

Onze estão na fase 3, incluindo os quatro já mencionados, assim como os das empresas chinesas Sinovac e Sinopharm.

A OMS contabiliza ainda 164 projetos de vacina em fase pré-clínica.

Quantas técnicas?

Por um lado, trabalha-se com produtos clássicos, que utilizam o vírus "morto": são as vacinas "inativas", como as da Sinovac e Sinopharm.

Também existem as "subunitárias", com base em proteínas, que ativam uma resposta imunitária.

Outras, chamadas de vetor viral, são mais inovadoras: adapta-se outro vírus para combater a COVID-19, como nos casos da Universidade de Oxford e da Rússia, que utilizam adenovírus, uma família muito comum.

Moderna e BioNTech/Pfizer desenvolvem vacinas de "RNA mensageiro", produtos inovadores que utilizam fragmentos de material genético modificado para ordenar às células os tipos de proteínas que devem produzir para combater o SARS-CoV-2.

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