Na segunda-feira, os chefes de equipa do Serviço de Urgência Geral (SUG) do Hospital Garcia de Orta, em Almada, apresentaram a demissão dos cargos em protesto com a escala de dezembro, que consideram estar "abaixo dos mínimos", e hoje, numa reunião com os especialistas, o hospital assegurou que estão a ser tomadas medidas para o reforço da equipa.

Em declarações à agência Lusa o presidente do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, referiu que apesar de a reunião "ter decorrido de forma adequada", os chefes de equipa vão manter a demissão, ponderando rever a posição nas próximas semanas conforme a eficácia das medidas implementadas.

Numa carta dirigida ao diretor clínico do Hospital Garcia de Orta, à presidente do Conselho de Administração e à diretora do Serviço de Urgência, os profissionais explicavam que na escala prevista constam vários dias com um número de elementos abaixo dos mínimos (um ou dois elementos apenas) para garantir o bom funcionamento do serviço.

“Não podemos, como chefes de equipa, assistentes hospitalares de medicina interna e médicos deste hospital, aceitar chefiar uma equipa de urgência nas presentes condições de trabalho e paupérrimas condições de prestação de cuidados no SUG”, salientavam na missiva, tornada pública pelo Sindicato Independente dos Médicos (SIM).

Os chefes de equipa adiantavam ainda que a escala de dezembro, à semelhança das escalas apresentadas nos últimos meses, normaliza uma equipa constituída por quatro elementos (ou menos), número que consideram insuficiente para garantir todos os postos necessários para o bom funcionamento do SUG e a prestação de cuidados em segurança para os doentes e profissionais.

Os médicos salientavam também que, entre estes quatro elementos, “muitas vezes estão contemplados colegas sem autonomia para exercer”.

Segundo o presidente do SIM, os médicos que apresentaram a demissão reafirmaram uma posição tomada há seis meses, alertando para "a incapacidade, impossibilidade e irresponsabilidade de manter uma urgência aberta com uma escala que não é completa".

Ainda segundo Jorge Roque da Cunha, é fundamental que o problema seja encarado e que o Ministério da Saúde perceba que esta situação urgente e emergente precisa de medidas a nível nacional.

"Enquanto não houver condições de contratar médicos para o SNS [Serviço Nacional de Saúde] esta situação vai continuar a ser agravada", disse, insistindo que este é um problema nacional e que mais de 60% das escalas de urgência no país são realizadas por prestadores de serviço.

Roque da Cunha explicou que há vários anos que o sindicato tem alertado para a falta de profissionais agravada agora por um número elevado de reformas.

"Sabemos há 20 anos que este ano se vão reformar 1.200 médicos e para o ano cerca de 1.400 por limite de idade. No ano passado pediram a rescisão, e isto é novo, do Serviço Nacional de Saúde, cerca de mil médicos e este número será ultrapassado este ano e também sabemos que nos últimos três anos os concursos abertos para o SNS mais de metade estão por ocupar", disse.

Face a estes dados, o dirigente sindical considerou que o Governo, no exercício há sete anos, não pode argumentar que o problema se resolve "com varinha mágica ou que não conhece o problema" ou que se resolve transferindo os doentes para os cuidados de saúde primários quando um milhão e 400 mil portugueses não têm médico de família.

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