Quando é diagnosticado em fase inicial, tem uma probabilidade de cura de 90% com cirurgia ou radioterapia. Contudo, a maioria dos casos são diagnosticados em fases avançadas, o que implica, por um lado, tratamentos combinados de cirurgia e/ou radioterapia e/ou quimioterapia e, por outro lado, taxas de sobrevivência aos 5 anos de 50 a 65%. Daqui se conclui que a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais para diminuir a incidência e mortalidade deste tipo de cancro.

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Entre 80 a 90% dos doentes com cancro da cabeça e pescoço são fumadores. Os fumadores têm cinco vezes mais risco de ter cancro da cavidade oral, orofaringe e hipofaringe e, por sua vez, 10 vezes mais risco de cancro da laringe. Esta associação depende da carga tabágica. A boa notícia é que o risco diminui a partir do momento que se deixa de fumar. A melhor forma de prevenir é, sem dúvida, não fumar.

Outros fatores de risco

O consumo de álcool aumenta de forma independente o risco de cancro da cabeça e pescoço. Por outro lado, atua de forma sinérgica com o tabaco. Um indivíduo que, por dia, fume 40 ou mais cigarros por dia e ingira mais quatro ou mais bebidas alcoólicas vê o seu risco de cancro de cabeça e pescoço aumentar 35 vezes. Novamente, a melhor forma de prevenir é evitar o consumo regular de bebidas alcoólicas.

A infeção pelo vírus do papiloma humano (HPV), já considerado uma doença sexualmente transmissível, é a causa de um subtipo distinto de cancro da cabeça e pescoço que ocorre, primariamente, na orofaringe. A proporção deste tipo de cancro tem vindo a aumentar.

Estima-se que o tempo que decorre entre a primeira infeção oral a HPV e o desenvolvimento de cancro seja mais do que uma década. Uma das formas de prevenção deste tipo de cancro é a educação escolar acerca do comportamento sexual, nomeadamente no que respeita ao número de parceiros.

Em debate, atualmente, está a questão da vacinação. Uma vez que o HPV é a causa dominante do Cancro do Colo do Útero, a vacina contra o HPV está incluída no plano nacional de vacinação das meninas. Sendo o HPV causa de outras neoplasias que afetam também o género masculino, como o carcinoma da orofaringe, discute-se a possibilidade de alargamento da abrangência desta vacina aos meninos.

Os sintomas

Depois da prevenção, o diagnóstico precoce é, sem dúvida, essencial para melhorar o prognóstico desta doença. É fundamental que tanto os indivíduos em risco como os seus médicos e enfermeiros de família estejam atentos aos sinais e sintomas de alarme.

Estes são lesões na boca (como aftas), uma rouquidão, dificuldade na ingestão dos alimentos, dor de garganta, dor de ouvidos ou um inchaço no pescoço que não resolvem em três semanas. Nestes casos, é essencial a observação e orientação atempada.

Por exemplo, num doente com cancro da laringe a deteção precoce pode fazer a diferença entre um tratamento cirúrgico simples com laser, em que o órgão e a sua função são poupados, e uma laringectomia total, que obriga à traqueotomia (realização de orifício no pescoço que permite a respiração).

As explicações são da médica Ana Joaquim, Assistente Hospitalar de Oncologia Médica do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho.

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