Antecipando uma possível solução, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) informou à tarde que trabalha para garantir o acesso subsidiado a uma futura vacina a países vulneráveis da América Latina.

A Moderna é o primeiro laboratório a atingir a fase final dos testes em humanos com uma vacina anti-COVID-19, que começará em 27 de julho nos Estados Unidos, com 30.000 participantes. Metade deles receberá a vacina em doses de 100 microgramas e a outra metade, um placebo. Os testes vão durar até 27 de outubro de 2022.

A notícia chega quando a pandemia totaliza pelo menos 576.185 mortes e mais de 13,2 milhões de infeções em todo o mundo desde que o novo coronavírus foi detetado na China no final de dezembro, segundo um balanço da AFP.

Os números são particularmente preocupantes na América Latina, com 3,4 milhões de casos de COVID-19, a segunda região mais afetada do mundo depois da Europa, com 146.735 mortes.

Diante de um panorama cada vez mais complexo na região e com as economias em declínio, a OPAS "está em coordenação com outros parceiros para garantir que os países mais vulneráveis da região receberá a vacina contra a COVID-19 de forma subsidiada e com preços acessíveis", disse a sua diretora, Carissa Etienne, numa conferência de imprensa esta terça-feira, especificando que isso pode ser articulado graças a um fundo de cooperação.

Etienne alertou que os países devem preparar-se agora para alcançar populações vulneráveis. "Caso contrário, pode levar anos até as pessoas serem vacinadas e não podemos arcar com esse atraso", afirmou.

Brasil sem carnaval?

O vírus não dá tréguas em nenhum canto do planeta. A escalada continua nos Estados Unidos, o país mais atingido pela pandemia no mundo, especialmente no estado da Flórida, que atingiu um novo recorde diário de mortes. O país registou mais de 3,42 milhões de casos de COVID-19 e pelo menos 136.432 mortes.

O Brasil, o segundo país mais afetado do mundo, concentra mais da metade de mortos (74.133) e dos casos da região, com um total de 1.926.824.

O coronavírus ameaça o carnaval. Nesta terça-feira, pelo menos cinco das mais importantes escolas de samba do Rio de Janeiro pediram o adiamento da festa até que exista uma vacina contra a COVID-19, segundo relatos da imprensa.

O presidente Jair Bolsonaro, infetado e em quarentena há quase uma semana, anunciou que um novo exame será realizado e disse que aguarda ansiosamente os resultados. "Não suporto essa rotina de ficar em casa, é horrível", disse o presidente, um forte opositor ao confinamento desde o início da pandemia, em entrevista por telefone à CNN.

Os países da América Latina sofrem um forte impacto, inclusive económico. No Chile, onde grandes desigualdades causaram um distúrbio social em outubro que durou vários meses, o presidente Sebastián Piñera anunciou uma transferência do equivalente a 630 dólares a trabalhadores ou desempregados afetados pela pandemia, como reforço de um criticado plano de apoio à classe média.

Na Bolívia, milhares de pessoas convocadas pelos sindicatos desafiaram a quarentena e marcharam contra as políticas de saúde, educação e trabalho da presidente interina de direita, Jeanine Áñez. Os protestos criticam as demissões e a queda da economia atribuída ao confinamento em vigor desde março.

O Peru, que totaliza mais de 12.000 mortes por coronavírus, suspendeu nesta terça-feira as eleições primárias obrigatórias com vistas às eleições de 2021. No entanto, num processo gradual de desconfinamento, parte do país retomará o transporte terrestre e aéreo doméstico na quarta-feira. Além disso, em 24 de julho, a cidadela inca de Machu Picchu, a joia do turismo peruano, será reaberta.

Retorno ao confinamento na Índia

Um aumento de casos em várias partes do mundo resultou no reconfinamento de cerca de 120 milhões de pessoas na Índia, no norte de Bihar, por duas semanas a partir de quinta-feira. No sul do país, mais de 13 milhões de pessoas em Bangalore e região também estarão confinadas por dez dias a partir desta terça-feira.

A segunda nação mais populosa do planeta, que confinou sua população de março a junho, teve até esta terça-feira 23.727 mortes de 906.752 casos confirmados de COVID-19. Em outras partes do mundo, também foram reimpostas restrições para tentar impedir a propagação do vírus.

O governo britânico decidiu nesta terça-feira tornar obrigatório o uso de máscaras nas lojas de Inglaterra a partir de 24 de julho, uma medida que foi recebida como positiva, mas tardia.

No Reino Unido, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 19,1% entre março e maio em comparação com os três meses anteriores, e o país pode enfrentar a pior recessão "em 300 anos", segundo uma agência do governo.

No setor da moda, Itália iniciou a sua primeira semana de moda virtual nesta terça-feira, depois de Londres e Paris. Apenas duas marcas farão desfiles de moda presenciais.

Em França, a festa de 14 de julho foi adaptada. O tradicional desfile militar na Champs-Élysées foi realocado e reduzido pela metade, com 2.000 soldados e muitos fogos de artifício suspensos.

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