A atividade de recolha de lixo durante uma corrida ou caminhada chama-se plogging e pretende ser uma espécie de alerta para uma problemática ambiental: o lixo nas praias, oceanos e florestas. Num relatório publicado em junho deste ano, o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) considerava que "o mar Mediterrâneo se transformou numa perigosa armadilha de plástico, com níveis recordes de poluição que põem as espécies marinhas e a saúde humana em perigo".

Por isso, o jovem engenheiro do ambiente de 27 anos da fotografia iniciou o um périplo de dois meses no início de julho com o objetivo de sensibilizar as autoridades e os banhistas para a importância de não transformar o mar num gigante caixote do lixo.

Mohamed Ossama Houij iniciou o projeto "300 quilómetros" em Mahdia (leste da Tunísia) e vai terminá-lo na praia de Soliman, a 40 quilómetos da cidade de Tunes, capital tunisina.

"Acredito no poder do cidadão e escolhi agir e sensibilizar as pessoas para o problema da poluição das nossas praias", explicou em entrevista à agência de notícias AFP.

O que é o plogging?

O termo plogging nasceu da combinação das palavras jogging (corrida em inglês) e plocka upp (apanhar em sueco).

Trata-se de uma nova tendência de fitness, com cariz e fins ecológicos, e nasceu na Suécia.

Para aderir ao plogging, basta sair para correr ou caminhar equipado com um recipiente para recolha o lixo. Apanhe o desperdício que for encontrando.

Depois disso, só precisa de o colocar no seu sítio certo: nos contentores de lixo e/ou nos pontos de reciclagem.

Uma "gota de água"

Além de sonhador, Mohamed Ossama Houij é realista. "A ação dos 300 quilómetros não é com o objetivo de realmente limpar, porque sei que sou apenas uma gota de água no oceano. Mas quero sensibilizar as pessoas para este problema. Quero que comecem a dizer: 'Espera, não é normal todas essas garrafas, estas tampas, todas estes sacos de plástico'", afirmou.

Só na primeira praia, Houij calcula ter recolhido cerca de 100 quilos de lixo.

Chocado com os restos de tartarugas - encontrou mais de 30 - e com as praias cheias de garrafas de plástico e de fraldas descartáveis, Mohamed Ossama faz uma lista de "todas as formas de poluição que estamos a fazer ao mar".

"As autoridades da Tunísia não abordam o problema da poluição como deveriam. Não há boa vontade", insiste.

De facto, alguns dos seguranças privados que vigiam as praias impedem-no inclusivamente de passar, já que a lembrança do atentado de 2015 está ainda presente: um agressor levava uma mochila e provocou 38 mortos numa praia de Susa.

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Porém, este defensor da natureza também fica indignado com a reação de alguns banhistas, que lhe pedem que recolha o seu lixo e o tratam como um "zaber" (lixeiro).

Durante algumas noites, Mohamed Ossama é acolhido e consegue dormir numa cama. De resto, dorme ao relento, depois de relaxar um pouco ao som da sua guitarra.

As reações vão "de um extremo ao outro": "Há pessoas muito ativas, que me estimulam e te ajudam a limpar. Outras pessoas, infelizmente, matam qualquer vontade de trabalhar por esta causa", acrescenta.

Um artigo da jornalista Kaouther Larbi da agência de notícias AFP.

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