Artur Catfish estreou-se como ator ainda muito novo, na novela da TVI 'Massa Fresca'. A representação trouxe-lhe notoriedade e reconhecimento, mas foi através do seu trabalho nas redes sociais que conseguiu alcançar um número de fãs digno de registo.

Tem 21 anos, 81 mil seguidores e já foi o rosto de um anúncio da marca Ford a nível internacional. Em entrevista ao Fama Ao Minuto, Artur Catfish conta-nos tudo sobre os meandros da vida de um digital influencer.

Como é que te tornas conhecido do público?

Foi na altura em que entrei na novela 'Massa Fresca', assim que saiu teve um crescimento rápido e comecei a ter o reconhecimento das pessoas e a ser abordado.

E as redes sociais como é que aparecem na tua vida?

Sempre gostei muito de tirar fotografias e de fotografar, então acho que aproveitei essa vertente. O meu Instagram sempre foi cuidado mesmo antes de entrar na novela e acho que foi isso que fez as pessoas gostarem do conteúdo.

Que conteúdo é esse que ofereces aos teus seguidores?

Tenho um conteúdo mais ligado à parte da moda, sempre num formato diferente do tradicional. E acho que abordo sempre um bocadinho de tudo a nível estético. Gosto de fotografar com várias coisas a incorporar os looks que tenho, a arquitetura, um estúdio ou um cenário.

Dizes que abordas a moda de uma forma diferente do tradicional, que diferença é essa?

É uma diferença onde tento sempre, ou quase sempre, puxar a parte estética da fotografia para os anos 1980/1990.

Se há algo que para mim não tem preço é a minha privacidade

O que é para ti um bom conteúdo de Instagram?

É um espetro muito grande de gostos, mas desde que seja puro e que se note que assenta na pessoa é um bom conteúdo. Pessoalmente, gosto de pessoas que são fiéis a si mesmas.

E o que é que não se deve publicar, de todo?

Cada pessoa publica o que quer e bem lhe apetece, mas uma coisa que não é tão apetecível ver num conteúdo é fotos desleixadas, que não têm sentido ou um propósito. Uma fotografia de um show no feed, só porque sim, acho que não tem muito sentido.

As redes sociais e os digital influencers são cada vez mais protagonistas de muitas polémicas. As polémicas têm um lado benéfico ou nunca são boas?

Se a polémica for criada com o fim de ter seguidores é desnecessário, mas no geral acaba sempre por ter um retorno de seguidores.

Achas que há polémicas que são usadas de forma estratégica?

Podem ser, às vezes, sim. Não digo que seja sempre, nem sempre se anda à caça de polémicas, mas quando acontece e tem um propósito de crescimento de seguidores, sim.

Já estiveste envolvido em alguma polémica?

Tirando o facto de, em 2015, ter sido criticado por colocar fotos a usar calções com meias altas, que depois se passou a usar, acho que nunca estive em polémica nenhuma. Também é uma coisa que evito. Gosto de dar muito de mim ao trabalho e às redes sociais, mas se há algo que para mim não tem preço é a minha privacidade.

Achas que deve existir esse cuidado para te conseguires proteger de eventuais coisas menos positivas?

As pessoas, às vezes, dão informações demais para o conteúdo que estão a fazer. Acho que não é preciso estarmos sempre a dizer tudo da nossa vida, onde vamos, onde estamos no momento, acho que se deve manter sempre um pouco de privacidade.

Com ou sem polémicas, nas redes sociais as críticas e comentários negativos chegam sem darmos por isso. Como é que lidas com as críticas?

Não lido. Sei distinguir comentários ofensivos de comentários construtivos. Se for construtivo, dou valor e até gosto de os ler... mas quando são apenas ofensivos, nem sequer ligo.

Não critico a 100% pessoas que inventam ou criaram cenários que parecem ser a sua vida

Quanto tempo demoras, por exemplo, a publicar uma foto no teu feed?

Sou picuinhas com a parte de correção de cor. O meu Instagram gere-se muito pela cor e essa é a parte que ligo mais, mas acaba por ser rápido, não mais do que cinco minutos.

Há uma grande diferença entre o que és no Instagram e fora dele?

No meu caso, o que as pessoas me dizem é que até pareço melhor na vida real do que no Instagram.

Ainda sobre a questão realidade vs. Instagram. O que aparece na tua página é de facto a tua realidade?

Acaba por ser a minha vida porque faz parte do meu trabalho, mas não faço questão. Às vezes, em certas produções, publico coisas mais arrojadas ou com cenários em que posso estar num carro ou numa casa que não é minha, mas aí eu identifico como produção. Não tento aproveitar as produções para subir ou querer dizer que tenho algo através das fotos, não faço esse tipo de coisas.

Qual a tua opinião sobre quem cria e passa a mensagem de uma vida que na realidade não tem?

Não critico a 100% pessoas que inventam ou criaram cenários que parecem ser a sua vida, porque há púbico para esse tipo de conteúdo. Público vai sempre haver e os gostos vão sempre variar. Eu escolho não o fazer.

Mas essa busca pela vida perfeita não pode acabar por influenciar negativamente o público, particularmente os jovens, e ser até motivo de ansiedade?

Não sinto que acabe por aumentar a ansiedade. A meu ver não é bem uma questão de ansiedade, é mais a necessidade de querer mostrar. Se eu não estiver bem hoje, vão pensar que o resto é mentira. É um castelo que se vai construindo e começa a ser uma bola de neve. Quanto mais o padrão de vida elevar, mais vais ter de mostrar e tens de estar sempre a subir. Acaba por ser destrutivo no final ou então tem de se ter uma estratégia gigante e muito trabalho para aguentar isso uma vida inteira.

Mesmo que acabe ou deixe de existir a febrezinha dos influencers, e se ficarmos sem trabalho, não vou parar de fazer o que faço

Nos últimos anos tem crescido cada vez mais o número de digital influencers jovens a conseguirem atingir um número elevado de seguidores e a conseguirem tirar proveito disso. É uma moda ou um fenómeno?

É um pouco dos dois. É um fenómeno por estar imensa gente nisto e a conseguir, e acaba por ser uma moda porque houve um grande crescimento ultimamente a nível de influencers. Mas acho muito bem que as pessoas mostrem a sua vertente criativa, seja a fazer o que for.

Esse crescimento não te faz temer a concorrência?

Acredito que suba a concorrência, porque há mais variedade de escolha para eventuais marcas fazerem determinada parceria e acaba por ser mais competitivo por aí, mas se nós nos mantivermos fiéis e mostrarmos realmente o que somos, há uma coisa que nunca vai ser igual: cada pessoa é uma pessoa. Se cada um fizer isso não há concorrência, há mais mercado.

Tendo em conta que me dizes que acaba por ser uma moda, não tens medo que 'a moda' acabe?

É algo que mesmo que passe de moda vou continuar a fazer, mas também continuo a trabalhar noutras vertentes. Mesmo que acabe ou deixe de existir a febrezinha dos influencers, e se acabar e ficarmos sem trabalho, não vou parar de fazer o que faço.

Em Portugal é possível viver apenas da criação de conteúdos no Instagram?

Não é impossível, mas cada pessoa tem os seus objetivos de vida e as suas metas. Cabe a cada pessoa perceber se está contente só com aquilo ou quer mais.

Sendo esta uma profissão dos tempos modernos, os teus pais conseguem perceber que este é o teu trabalho?

Sim, sim, conseguem. Eu comecei muito novo e eles foram entendendo aos poucos, tal como eu, mas sempre me apoiaram.

Que preconceitos achas que existem em relação aos digital influencres e à profissão em si?

Não acho que sejam preconceitos, são comichões por parte de algumas pessoas. Não entendo o porquê de se mandar a baixo ou diminuir alguém, é uma profissão considerada fácil, acho que é isso que motiva esses comentários, essas comichões.

A representação continua a fazer parte dos teus planos?

Sim, claro.

Achas que o teu número de seguidores e o facto de seres digital influencer pode prejudicar-te ou ser benéfico e abrir-te portas nessa área?

Acho que a parte de ser chamado para certos trabalhos por causa dos seguidores, às vezes, acontece, mas é muito orgânico, não tem a ver com os seguidores mas com a forma de me vestir ou de estar.

O que é que estás a fazer atualmente e quais os planos para o futuro?

De momento estou a fazer um projeto que vou lançar para o ano, ainda não posso dizer qual é. Tenho estado a trabalhar no Instagram e fiz um anuncio há pouco tempo para a Ford internacional.

Como é que surgiu a oportunidade de fazeres parte desse anúncio?

Fui através de um casting, depois de ter sido contactado. Consegui ficar com o papel, disseram mesmo que fui uma das primeiras escolhas desde o início. Era para apresentar um modelo novo do Ford Fiesta e eu era a cara do carro.

Como é que correu a experiência de trabalhares com uma produção internacional?

Foi muito fixe, adorei a equipa. Toda a produção foi impecável comigo.

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