Sharam-Sharam Diniz é, aos 30 anos, uma das modelos mais bem-sucedidas da sua geração. Aos 14 anos, surgiram os convites, o encanto nasceu com os primeiros trabalhos e assim começou o caminho, feito em passos curtos e convictos, até às maiores passarelas internacionais.

Em 2012, a luso-angolana desfilou como um dos anjos da icónica Victoria's Secret, a mesma marca que anos mais tarde lhe deu a mais dolorosa rejeição da sua carreira.

Com foco e determinação superou o momento delicado pelo qual passou e reergueu-se, ainda mais forte.

Voltou a trabalhar com a Victoria's Secret, foi capa de diversas revistas internacionais de renome, entre as quais a Vogue, Marie Claire, Elle, GQ, Allure, Glamour ou Cosmopolitan, desfilou para marcas como Balmain, BCBG Max Azria, Calvin Klein ou Carolina Herrera, e começa agora a dar cartas naquela que sempre foi a sua grande paixão: a representação.

Em entrevista ao Fama Ao Minuto, Sharam Diniz conta-nos todos os detalhes sobre a forma como até aqui desfilou na passarela da vida com destino ao sucesso.

Sharam, dizes que ser manequim nunca foi um sonho. Qual era o sonho?

O sonho era ser atriz, desde que me conheço. No entanto, a moda bateu, começou a bater à porta insistentemente e vi ali uma oportunidade de representar de forma diferente. Encantei-me nos primeiros instantes.

Como é que surge a moda na tua vida?

Os convites começaram a surgir aos 14 anos, a primeira vez na praia e nas vezes seguintes, às vezes, na rua outras em centros comerciais, lojas e por aí.

E a internacionalização da tua carreira, como é que acontece?

A internacionalização dá-se após vencer um concurso na minha cidade natal, Luanda, o Step Look (2008). O facto de ter dupla nacionalidade foi uma mais-valia no que toca aos mercados principais. Já em Portugal ganhei o Supermodel of the World (2010) e arranquei para São Paulo, Brasil, para a final do mesmo. Ali percebi que o que me esperava, iria exigir muita concentração e dedicação da minha parte.

Os teus pais não aprovaram logo ao início a tua entrada no mundo da moda, como é que os fizeste perceber que este era o teu caminho?

Em relação aos meus pais, hoje mais do que nunca percebo o receio que tinham na altura. Era uma miúda ainda e aspirava a inúmeras coisas, não olhava para os perigos, ou melhor, nem sabia quais eram, verdade seja dita. Houve um acordo em relação às notas na escola, desde que as mesmas não baixassem tinha o caminho livre para continuar a exercer a moda enquanto hobby - ainda em Luanda, uma vez que o mercado não é tão grande. Não tinha o mesmo leque e carga de trabalho que tive anos mais tarde, ao ponto de ter de optar: ou a universidade ou a moda. E chegou uma altura em que tive de realmente 'congelar' o ano e dedicar-me a 100% ao trabalho e carreira que havia escolhido.

É impossível uma menina de 21 anos estar preparada para lidar com a rejeição. Fiquei desmotivada e em certos momentos até deprimida

Os trabalhos no mundo da moda são, na sua grande maioria, muito bem pagos. Sendo tu muito nova na altura em que começas, como é que conseguiste gerir essa emancipação/ independência sem te deslumbrares?

Era madura demais para a minha idade. Já tinha tido a experiência de viver à base de mesada em anos anteriores, em Inglaterra, enquanto estudante. Aprendi a controlar o meu dinheiro. Com a moda não foi muito difícil e, na altura, não tinha tantas responsabilidades como agora [risos]. Deu para aproveitar bem, conhecer novos lugares, investir em pequenos negócios e, consequentemente, proporcionar algumas coisas aos meus entes queridos. E também não sou de uma família que esbanje, pelo contrário, sempre vivemos com o que tínhamos e não inventávamos modas.

Por outro lado, o mundo da moda pode ser também muito ‘cruel’ no que respeita aos padrões e exigências com o corpo das modelos. Estavas preparada para lidar com a rejeição?

É impossível uma menina de 21 anos estar preparada para lidar com a rejeição, é um trabalho enorme emocional e psicológico e fui aprendendo com cada perda.

"Já fui rejeitada várias vezes por ser muito bonita", esta frase é tua. Como é que conseguiste entender este tipo de rejeições?

Fiquei desmotivada e em certos momentos até deprimida, hoje encaro com mais leveza... consequência da maturidade que consegui atingir até então. A moda é um mundo lindíssimo, apesar de muito feroz, e ajuda-nos a crescer e a perceber que o ser diferente é exatamente o que nos torna especiais e únicos.

Victoria's Secret? Na altura quase desisti de tudo

Achas que deveriam mudar os padrões de exigência em relação ao corpo da mulher no mundo da moda?

Já o têm vindo a fazer, devagar e bem, pelo menos nos países mais desenvolvidos onde a moda também é potência económica. Mas como mencionei anteriormente, a diversidade é importante e só assim nos permitimos descobrir algo belo diariamente e diferente do padrão usual.

Uma das rejeições pelas quais passaste esteve relacionada com o desfile da Victoria's Secret. Foi a pior das rejeições?

Com certeza, por já ter feito antes e por perceber que o erro, no caso, era meu. Não estava na minha melhor condição física.

Como é que ultrapassaste esta fase mais conturbada na tua vida e carreira, após o desfile da VS?

Com o apoio da família, e do meu parceiro. Na altura quase desisti de tudo. Mas lá está, 'tudo passa' e voltei mais forte emocionalmente - o que acaba por ser fundamental para esta profissão em que a nossa condição física define se ficamos ou não com o trabalho.

Notícias ao Minuto

Sharam Diniz regressou ao desfile da Victoria's Secret em 2015© Getty Images

O que é que mudou na tua autoestima, como é que conseguiste recuperar a confiança perdida nesse período?

Passei a perceber o porquê de uma rejeição ao ver a campanha ou editorial quando saísse, estudava as modelos que eram mais chamadas. É um trabalho diário, não devemos tomar nada por garantido.

O que é que fez a diferença para teres conseguido chegar lá num meio que é tão competitivo?

Espero conseguir inspirar outras pessoas e quem sabe torná-las grandes, aí sim eu diria 'I made it' [eu consegui].

Qual o trabalho como modelo de que mais te orgulhas?

Acho que o primeiro é sempre desafiante pela falta de experiência e alguma ingenuidade.

Já fizeste alguns trabalhos como apresentadora, particularmente nas tuas redes sociais, esta é uma área que também gostavas de explorar?

Sim, gosto de ouvir histórias inspiradoras, que me motivam, saber o processo para atingir o sucesso que cada pessoa obteve.

Assumires publicamente que fumas cannabis teve impacto na tua vida e carreira?

De forma negativa diria que mais a nível pessoal e familiar, pela pressão que sofrem da sociedade e dos bons costumes, mas a nível profissional nem tanto, ou melhor, diria que quase nada. Já é legal em muitos sítios e é até aconselhável a nível medicinal, basta pesquisarmos na Internet. Obviamente que tudo em excesso faz mal, e se consigo desenvolver e cumprir com as minhas funções diárias é porque não deve ser motivo para grande barulho.

Completaste 30 anos este ano. Quais foram as resoluções dos 30 que esperas ver cumpridas?

Muito honestamente a minha carta de condução, prometi a mim mesma que dos 30 não passava [risos]. Comecei a tirar em Lisboa, mas uma vez que as restrições apertaram optei por ir a Luanda arrumar este tema tão pertinente nos últimos anos da minha vida. 'Voilá', consegui, já estou na estrada. E aproveitei o facto de cá estar para dar continuidade a alguns projetos sociais parados.

Nesta temporada que tens passado em Angola, devido à quarentena, conseguiste dedicar-te a projetos relacionados com a representação?

Fiz algumas coisas a nível de representação em Angola e fico muito contente, porque infelizmente tudo o que fiz até então foi para Portugal e nem todos os angolanos tiveram acesso. Desta forma poderão ver a Sharam também como atriz, uma vez que ainda sou mais conhecida em moda.

Falemos do presente e futuro, que projetos estás a preparar atualmente e quais os que estão para vir e podem já ser revelados?

Bem, ser uma mulher encartada já consta na lista, tudo resto será enquanto profissional. Quero retomar alguns mercados estratégicos e aprender mais uma língua, são alguns dos objetivos para 2021.

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