A poupança costuma ser entendida como um “luxo” daqueles que conseguem ter alguma folga no orçamento. Mas não é verdade! O que não falta por aí são exemplos de famílias que recebem o salário mínimo e que nos dão grandes lições de poupança. A poupança não é um desafio para ricos ou pobres. É um desafio para todos!

O desafio que aqui queremos deixar é que altere a forma como vê a poupança. Ou seja, em vez de ser um dinheiro que põe de lado se eventualmente sobrar algum euro dos gastos mensais, mas que passe a ver a poupança como a primeira de todas as despesas.

Se pararmos para pensar na lista infindável de gastos que temos chegamos à conclusão que estamos sempre a dar dinheiro a terceiros (pagamento da água, luz, gás, supermercado, bancos,…). Mas quando estamos a fazer uma poupança, a quem é que estamos a pagar? A nós próprios, claro! Por isto afirmamos que a poupança deverá ser a primeira despesa a considerar, pois é o pagamento mensal que fazemos a nós próprios. E esse pagamento tem de ser feito logo no início do mês. Caso contrário corremos o risco de chegar ao fim do mês e não ter dinheiro para nos pagar… o que ninguém gosta nem parece justo: um mês inteiro de trabalho e não pago nada a mim próprio (poupança)? Não é justo!

Poupar é o melhor remédio para a saúde financeira

Este ensinamento tem sido apreendido por cada vez mais portugueses, pois mesmo com a crise financeira que atravessamos a poupança das famílias portuguesas aumentou (ver gráfico abaixo). Mas o que pode ser mais preocupante é que a atitude de poupança abranda assim que se começam a sentir melhorias na economia. E isso não faz sentido. Repare-se que entre os anos 2005-2008 a tendência de poupança reduziu drasticamente. Só depois do país realizar como estava mergulhado em profunda crise é que volta a aumentar os níveis de poupança.

Este comportamento generalizado demonstra que só nos preocupamos quando a realidade nos bate à porta. Infelizmente, algumas vezes é demasiado tarde e o descalabro nas contas é inevitável. A poupança não se improvisa em momentos de aflição.

Há variadas formas de poupar: mealheiro, debaixo do colchão, etc. Mas não se esqueça que a poupança, quando realizada num banco, é um investimento que vai beneficiar dos juros que os bancos pagam por termos lá o dinheiro. Mesmo que seja pouco é mais do que no mealheiro. E a verdade é que esse dinheiro inicial vai somando os juros obtidos ao longo dos anos. Quanto mais cedo começarmos a poupar, menos esforço será necessário para obter maiores ganhos. Procure que em sua casa os hábitos de poupança se estendam a todos os elementos e não deixe os seus filhos de fora!

A poupança é o resultado continuado e progressivo de uma atitude de quem opta por ter menos liquidez para gastar hoje, mas é prudente para que as crises (que são cíclicas!) não lhe afetem a saúde financeira que foi construindo ao longo dos anos.

João Raposo

info@doutorfinancas.pt

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