O presidente da Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular(APIC)disse hoje que a população portuguesa não está informada nem sobre o sintomas de um enfarte nem sobre o modo de atuação correto.

Hélder Pereira falava à agência Lusa a propósito da campanha de sensibilização "Não perca tempo - o enfarte não pode esperar!" desenvolvida pela associação durante o mês de abril e que termina hoje com uma ação de sensibilização na área de serviço da Galp, no aeroporto de Lisboa.

“Um dos problemas graves é que as pessoas quando têm enfarte muitas vezes não reconhecem os sintomas, demoram muito tempo até pedir ajuda e depois dirigem-se pelos próprios meios para o hospital”, adiantou Hélder Pereira.

Por isso, a campanha, que é europeia e que arrancou em abril, visa passar a todos a mensagem de que em caso de enfarte não se pode perder tempo, esclarecer quais são os sintomas e o melhor modo de atuação.

O médico explicou que o enfarte do miocárdio resulta de um coágulo que se forma numa artéria do coração e que depois rebenta, fazendo com que a parte do músculo cardíaco irrigado por essa artéria deixe de receber oxigénio e vá morrendo aos poucos.

“Costuma-se dizer que no enfarte, o tempo é músculo porque quanto mais tempo passa, mais músculo cardíaco morre e não recupera”, explicou Hélder Pereira.

Se pelo contrário, adiantou, for possível logo na primeira hora realizar uma angioplastia (procedimento que visa desobstruir a artéria), “há praticamente uma recuperação completa e não há grandes consequências nessa área”.

“Há medida que o tempo passa, vão morrendo mais células e maiores são as consequências, sobretudo ao nível de mortalidade. Por cada 15 minutos que ganhamos são menos seis vidas que se perdem por cada mil pessoas com enfarte”, revelou.

De acordo com o presidente da APIC, o objetivo da campanha é também atingir as 600 angioplastias por milhão de habitantes, por ano, valor que tem por base a realidade dos países do norte da Europa.

Hélder Pereira adiantou que em 2010 foram realizadas cerca de 200 intervenções cirúrgicas, número que aumentou 13 por cento em 2011, para 313.

“É possível que Portugal, Espanha e Itália, não sabemos bem porquê, talvez da dieta mediterrânea, tenham um bocadinho menos enfartes do que esses países [do norte da Europa], mas mesmo assim com menos do que 500 angioplastias estamos a subtratar”, defendeu.

O responsável da APIC disse ainda que o número de enfartes em Portugal ultrapassará os 10 mil, mas apontou que não há um registo de todos os doentes com enfarte no país, nem das pessoas que morrem na sequência de um enfarte do miocárdio.

Lembrou ainda os principais sintomas de um enfarte: “dor no peito, às vezes descrita como pressão ou um aperto, que pode irradiar para os braços, para o pescoço ou para as costas, às vezes acompanhada de náuseas e de vómitos”.

03 de maio de 2012

@Lusa

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