Nos dois casos são peças únicas carregadas de simbolismo e história, que fazem uma viagem por Nova Iorque, Hong Kong, Pequim e Xangai antes de ser arrematados em Genebra para que os potenciais interessados possam admirar a sua beleza e qualidade.

As duas pulseiras de diamantes da rainha que morreu na guilhotina em 1793 em plena Revolução Francesa estão guardadas no seu estojo azul original com a mensagem em francês "bracelets de la reine Marie-Antoinette", que não deixam dúvidas sobre a identidade da sua proprietária.

Nas mãos de um colecionador privado, cujo nome não foi revelado, as joias serão postas pela primeira vez à venda publicamente por um preço estimado entre os 2 e os 4 milhões de dólares.

Para Daphne Lingon, diretora de joalheria da seção americana da Christie's, a sua excepcionalidade não está apenas na sua primeira proprietária, mas no facto de os diamantes, de entalhe antigo, serem de uma qualidade "extraordinária".

Os diamantes que estão mais nas extremidades da peça têm um quilate e os do centro são mais valiosos, com mais de quatro quilates, sendo que os 112 diamantes das duas peças fixam-se entre os 140 e 150 quilates.

"Estão bem harmonizados quanto à cor, ao corte e à clareza", assegura a especialista.

Como na época não havia platina, que chegaria à joalheria na segunda metade do século XIX, os diamantes estão encrustados em prata e a parte de baixo, a que fica em contacto com a pele e a roupa, tem uma fina camada de ouro para lhe dar mais durabilidade e evitar manchas.

Com três fileiras de diamantes, unidos entre si por finas correntes, as pulseiras podem transformar-se numa gargantilha, uma vez que são maleáveis, flexíveis e surpreendentemente leves.

Mas para além do valor histórico das peças, o que "realmente é extraordinário na história da joalheria" é que "tenham permanecido intactos desde o tempo em que pertenceram a Maria Antonieta", explica Lingon.

O normal é que tivessem sido desmontados para fabricar outras joias.

As pulseiras foram encomendadas ao joalheiro Charles Auguste Boehmer em 1776 em Paris pela própria Maria Antonieta, que se tinha tornado rainha de França dois anos antes. A monarca pagou 250.000 libras, o que na época era uma fortuna.

Em plena revolução e perante a tentativa frustrada dos reis de fugir de França com os dois filhos, a rainha enviou as suas joias para Bruxelas para que as fizessem chegar à sua família na Áustria, o seu país natal.

A única sobrevivente da família real francesa, a sua filha Maria Teresa, recuperou-as e como não teve filhos, entregou-as a uma sobrinha, a duquesa de Parma.

O amor dos Windsor

A outra estrela do leilão de 9 de novembro será a pulseira que o duque de Windsor, Eduardo VIII, deu como presente à sua esposa, Wallis Simpson, a propósito do seu primeiro aniversário de casamento, a 3 de junho de 1938.

O interior contém uma mensagem: "Para o nosso primeiro aniversário, três de junho". Dois anos antes, Eduardo VIII tinha abdicado do trono britânico para se poder casar com esta plebeia americana, divorciada duas vezes.

"Para marcar o amor, a paixão, a boa sorte, a coragem e a prosperidade, o duque elegeu rubis que dominam o centro desta joia única", uma refinada reinterpretação de Art Déco, que será leiloada por um preço entre os 1 e os 2 milhões de dólares, descreve a Christie's.

Lingon coloca-a no pulso para explicar o seu sistema especial de abertura e para mostrar como fica bela no corpo esta joia única que a Cartier criou inicialmente como colar, mas que depois se tornou uma pulseira e que será leiloada pela primeira vez desde 1987, quando a coleção das joias da duquesa de Windsor foi posta à venda.

"Todas as pulseiras são perfeitamente usáveis hoje!", garante, com um sorriso.

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