Há quem afirme a plenos pulmões que, nos dias que correm, está tudo inventado e que, nos tempos atuais, vivemos de ciclos que se reinventam consecutivamente. A moda de verão de hoje é assim tão diferente do que era há 10 anos? Fomos investigar! "Nesta primavera/verão, para estar na moda acrescente cor ao guarda-roupa", sugeria a revista feminina Saber Viver num artigo que antecipava tendências no início de 2009.

"Apesar da grande crise económica mundial, as passarelas apresentaram-se muito optimistas e coloridas esta estação", sublinhava Helena Carmona, consultora de imagem, em declarações à publicação, depois de observar os desfiles. Na realidade, se observarmos atentamente a galeria de imagens que se segue, reparamos que, há cinco anos, o período intermédio nesse intervalo temporal, essa permissa ainda se mantinha.

As tendências, fazia notar a especialista em 2009, vão "desde os designs provocadores e estruturados tipo origami até às influências da moda dos anos da década de 1980, com ombros largos e blazers". O comprimento das saias continuava eclético, no entanto, "o mini ou o ligeiramente acima do joelho são os mais frequentes", afirmava Helena Carmona. Então e hoje? Babi Pereira, consultora de imagem e blogger, responde à pergunta.

"Como há 10 anos, na primavera/verão de 2019 há que adicionar cor ao nosso guarda-roupa. Numa estação em que a tendência dos anos [da década de 19]80, que veio para ficar, acolhe generosamente os seguintes anos da [década de 19]90, otimismo, a alegria e a ousadia são o statement a declarar resultando em coordenados singulares, em que todas as misturas de cores e padrões são permitidas", garante a especialista.

As peças-chave e os padrões que (não) se mantêm

Em termos de peças, a diferença não é substancial. "Nas montras, vai encontrar calções, macacões, vestidos-túnica curtos e assimétricos, blazers mais compridos e com cintos, como nos anos 80 ou com cortes tipo asa de grilo", referia a consultora de imagem Helena Carmona, afirmando ainda que "a gabardina de verão parece ser uma peça indispensável". Efetivamente, nesse ano, foram muitas as mulheres que as usaram.

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Quanto às calças, "definitivamente são de gancho subido e/ou muito largas, com pregas no cós, tipo harém ou ainda afuniladas, embora esta ultima tendência esteja a diminuir", referia, então, a consultora. "A inspiração pijama também vem para a rua, tanto para camisas como calças ou calções, com materiais acetinados e vivos de cores contrastantes, como se usava antigamente nos pijamas", explicava Helena Carmona. Então e hoje? "Nas mais variadas montras, encontramos os cycling shorts, os calções de ciclista, além de looks all jeans [em ganga integral]", realça Babi Pereira.

Em voga, está também "o denim com lavagens, peças tie-dye [com diferentes níveis de (des)coloração], saias e vestidos nas mais diversas versões, das mais curtas às médias e longas, mas com uma constante, os botões à frente, que surgem nos mais variados modelos, mudando apenas a forma e detalhes", sublinha a consultora de imagem e blogger, que aponta ainda uma outra tendência distintiva esta estação.

"Uma das apostas certeiras para a primavera/verão de 2019 são as blusas com decotes que vão de ombro a ombro. Este modelo clássico reaparece este ano com algumas mudanças, mas com a essência de sempre, com folhos e ombros à mostra. Seguindo a tendência, os folhos aparecem não só nos mais diversos modelos de blusas, mas também em jumpsuits e vestidos próprios da estação", acrescenta ainda a consultora de imagem.

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"Falando em vestidos, o termo wrap dress, surge este verão num estilo de inspiração marcadamente francês que mistura novamente folhos, ondulações e volumes com aberturas estratégicas, criando coordenados leves e muito delicados que combinam, na perfeição, com os dias mais longos e quentes do ano. Outro detalhe que faz toda a diferença, esta estação, são as laçadas, resultando em laços feitos com duas pontas em tops, calças, saias e vestidos, conferindo um toque final de feminilidade, estilo e charme para os coordenados de verão", diz.

"Tal como há 10 anos, a gabardina continua a imperar nas mais diversas marcas de moda provando, uma vez mais, a razão de ser uma peça básica e intemporal do guarda-roupa feminino", elogia Babi Pereira. Em termos de padrões, no último ano da década de 2000, a tendência era inequívoca. "Vão estar na moda as riscas, os estampados, conjugando cores vibrantes com tons suaves", escrevia a revista Saber Viver.

"Ao nível dos estampados, tendem a ser menos florais, do que no verão passado, e mais abstratos. A estilista Jil Sander inspira-se, por exemplo, nas pinturas de Jackson Pollock", sublinhava, então, Helena Carmona. Os motivos de animais também estavam na moda com o print animal com os padrões de tigre, de zebra, de leopardo e de chita em destaque em muitas das peças à venda na maioria das lojas.

"A inspiração safari, um clássico das tendências de verão, volta em força", anunciava Helena Carmona. 10 anos depois, continuam a ver-se, mas predominam os exóticos. "Responsáveis por dar vida aos looks, os padrões surgem esta primavera/verão em diversas ilustrações, resultando em prints fortes com flores grandes que se misturam a folhagens orgânicas e que nos remetem para qualquer paraíso tropical", diz Babi Pereira.

Moda feminina

"As listras também marcam forte presença esta estação e, para refrescar este já padrão clássico, surgem coloridas em diversos tons, misturando cores vibrantes e muito alegres nas quais devemos investir sem medo. O padrão vichy, que foi um sucesso em 2018, continua a ser também uma forte aposta para este ano, mas deixando o preto e branco para dar lugar a cores mais arrojadas e tendência, como o amarelo, o vermelho e o rosa", refere.

"Por fim, há que salientar o regresso de peças do antes abandonado e menosprezado linho e do plastificado, ambas tendências marcadamente dos anos da década de 1990, que podem ser utilizadas tanto em acessórios como também em roupas e calçado, tornando esta uma estação que se pretende acima de tudo divertida", acrescenta ainda a consultora de imagem, habituada a sugerir peças que são tendência aos clientes que a contratam.

As cores em voga em 2009 e em 2019

É, sobretudo, aqui que se registam as maiores diferenças. "As cores são vibrantes, azulão, amarelo-limão, laranja, azul-água e verde ou os beges e os caquis para a tendência safari", descrevia Helena Carmona em 2009. "Vai também encontrar-se algum
preto e branco, como sempre, a par de riscas de cores inusitadas, com misturas como azulão com amarelo, laranja e rosa choque ou ainda roxo e tijolo", afirmava a consultora.

As peças em croché que vão dar (ainda) mais cor ao seu verão
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E agora? "Nesta estação, para além do branco e do preto, dois clássicos, que surgem em polka dots [padrões com bolas] ou no clássico padrão às riscas, as cores querem-se ousadas", realça Babi Pereira. "O néon é marcadamente a tendência deste verão e surge agora em versões mais casuais e, até se poderá dizer, mais formais, em pequenos detalhes, de forma pontual ou em produções monocromáticas", sublinha. "O verde militar e o rosa pink também garantem o seu lugar de destaque, enquanto que o encarnado ketchup e o amarelo-mostarda prometem ser as cores deste verão", insiste.

"Curiosamente ou não, ao mesmo tempo que esta é uma estação marcada por cores assumidamente fortes, outra das grandes tendências são os tons de areia que resultam de uma reinterpretação do clássico e, na minha opinião, algo aborrecido bege, que nos surpreendem nos mais variados tons e que resultam na perfeição quer usados em look total ou misturados com outros tons mais fortes", refere ainda a consultora de imagem.

As (poucas) diferenças nos acessórios e no calçado

E, em termos de calçado e acessórios, a moda continua a ser linear ou nem por isso? "Nesta estação, vão usar-se os chapéus e chapelinhos, os turbantes e as toucas", esclarecia Helena Carmona, em declarações à revista Saber Viver, em meados de 2009. "Relativamente ao calçado, as sandálias compensadas e com cunha continuam em alta, assim como as sandálias totalmente rasas e as sabrinas", garantia a especialista.

Em 2019, as diferenças não são substanciais. "Nesta estação, assim como há 10 anos, os chapéus de palha continuam a ser os mais vistos e usáveis, mas agora com uma inovação, surgindo em palas, quer em palha quer também em tecido", analisa Babi Pereira. "Também em palha, da praia para as ruas da cidade, as carteiras neste material, que já o ano passado foram um sucesso, prometem aparecer ainda mais este ano", diz.

"Isso faz todo o sentido, se pensarmos que combinam com a maior parte dos coordenados, atribuindo-lhes um ar super descontraído, que rima com o verão. Relativamente ao calçado, a adicionar às intemporais sandálias e sabrinas flat, encontramos muitas cunhas, agora em corda, nos mais variados padrões, a par das tradicionais alparcatas que nos remetem, uma vez mais, para os anos de 1990", refere a consultora.

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