Uma aula ao ar livre, sem paredes ou teto, com pessoas e viaturas a passar, com sol e vento intenso, já as mesas e as cadeiras são de madeira, bem como o quadro do professor, onde se escreve a giz, foram estas as condições que alguns alunos de Lisboa encontraram esta manhã na Praça do Oriente, no Parque das Nações.

“A ideia surgiu precisamente pela época que estamos a viver, do regresso às aulas, e pelo contraste imenso com que decorre em diferentes países”, disse à Lusa a coordenadora geral e executiva da HELPO, Joana Clemente, acrescentado que “o regresso às aulas não é igual para todos, mas pode ser”.

A HELPO é uma Organização Não-governamental, sem fins lucrativos, cujo objetivo é a “realização de projetos educativos, formativos e de geração de rendimento” para o desenvolvimento em múltiplos países do mundo, refere uma nota à imprensa.

Esta aula, para alunos do ensino básico e secundário, pretende sensibilizar as crianças e jovens portugueses para as dificuldades de aprendizagem que os alunos, que como eles regressam às aulas nesta altura, sentem em países como Moçambique.

Para o professor Miguel de Carvalho, que lecionou esta ‘Aula…sem sala’, é necessário que as crianças percebam a diferença entre terem todos os dias aulas em “condições que são todas elas favoráveis ao seu processo de ensino e aprendizagem” e de terem aulas numa sala sem condições, apesar de ser uma realidade que não se verifica em Portugal.

Segundo o professor, a sensibilização deve ser feita junto das camadas mais jovens, uma vez que “a personalidade de uma pessoa se começa a construir em criança”. “Quanto mais cedo começarmos, melhor é”, acrescentou.

Para Joana Clemente, o objetivo é que as crianças comecem a pensar no facto de “terem muita sorte pelo contexto em que nasceram” e perceberem que há crianças que não tiveram “a mesma sorte”.

“Sobretudo é pensarem no que elas próprias podem fazer, porque toda a gente pode fazer qualquer coisa a esse respeito, e também é que as crianças levem estas questões para casa e ponham os pais a pensar sobre isto”, sublinhou.

Rita Flores, de nove anos, uma das alunas que participou nesta iniciativa afirmou que foi “interessante saber como é que os meninos de Moçambique trabalham” e, acrescentou, “é mais fácil trabalhar como eu trabalho no dia-a-dia porque não há tanto barulho e trabalho mais à vontade”.

Já Miguel Horta, de nove anos, também aluno desta ‘Aula…sem sala’ disse que “foi muito importante” participar nesta iniciativa e que “um dia queria ajudar mais os meninos” de Moçambique.

As maiores dificuldades de lecionar uma aula num ambiente como este foram, para Miguel de Carvalho, “o barulho e as distrações porque qualquer coisa é uma distração” para os alunos.

Segundo a coordenadora, o Parque das Nações foi o local escolhido para a iniciativa por ser necessária uma “zona confusa onde as distrações representassem dificuldades de aprendizagem” semelhantes às de outros países, cujas dificuldades passam não só por pessoas e carros a passar, mas também por animais, adversidades climatéricas e, por vezes, ausência de professores.

O evento contou ainda com uma aula para uma turma de jardim-de-infância em que a professora, que já deu aulas em Moçambique, exemplificou, com a ajuda de materiais de origem moçambicana, como seria uma aula lá.

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