A apneia do sono é uma doença em que as pessoas param de respirar por pequenos períodos durante o sono. Em alguns casos, o diafragma e os músculos respiratórios deixam de funcionar por falta do estímulo cerebral que controla a respiração. É a chamada apneia de sono central. No entanto, em mais de 80 por cento das situações, a respiração é interrompida devido a uma obstrução das vias respiratórias. Nestes casos, falamos de apneia obstrutiva do Sono (AOS).

Identificar a origem

Se o seu filho tem apneia obstrutiva do sono, isso significa que há um problema na via aérea que impede a passagem do ar. Optar pelo tratamento adequado passa, antes de mais, por identificar a origem da obstrução. No caso de um defeito anatómico, «pode tratar-se de um aumento da úvula, de hipertrofia do palato, das amígdalas ou da língua ou de hipertrofia da parede posterior», enumera Anselmo Pinto, otorrinolaringologista especialista em sono.

A esta lista acrescem problemas do nariz, nomeadamente ao nível da válvula nasal, do septo (desvio) ou dos cornetos (hipertrofia) e também problemas da laringe. Outra possibilidade tem a ver com a compressão da via aérea devido ao aumento de gordura na zona abdominal ou do pescoço.

Perceber a causa

Em 90 por cento dos casos de apneia obstrutiva do sono em crianças, o que está em causa são as amígdalas ou os adenóides (tecido situado na zona por detrás do nariz). O passo seguinte será perceber de que tipo de problema se trata. «A obstrução pode ser causada por defeitos anatómicos ou por um problema passageiro», explica Anselmo Pinto.

Por exemplo, um aumento dos adenoides poderá ter origem numa hipertrofia (problema anatómico que consiste no tamanho exagerado) ou numa infeção. Neste último caso, importa perceber se é uma infecção isolada ou se há uma história de infeções repetidas ou intermitentes.

Os principais tratamentos:

1. Tratamento cirúrgico

Na maioria dos casos, resolver uma hipertrofia implica recorrer a um tratamento cirúrgico, a única forma de remover o tecido excessivo para promover uma respiração adequada. O mesmo se aplica, segundo Anselmo Pinto, em caso de imunodeficiência. O caso dos problemas do nariz e, em particular, dos tecidos do septo, representa a exceção à regra.

«A correção do desvio do septo só é, por norma, indicada a partir dos 18 anos, já que a criança está em desenvolvimento», explica. Segundo o especialista, cirurgias como a das adenoides, amígdalas ou cornetos hipertrofiados são «das mais realizadas em todo o mundo porque têm muitos poucos riscos e bastantes benefícios».

Embora reconheça que, por vezes, estas possam ser indicadas em excesso, Anselmo Pinto considera que as infeções não devem ser «as únicas indicações para a sua realização», já que mesmo que não haja infeção a apneia do sono pode afetar o desenvolvimento físico e inteletual da criança. Em Portugal, este tipo de cirurgia está disponível nos setores público e privado de saúde. No privado, o custo ascende a cerca de 2.000 €.

Veja na página seguinte: Os tratamentos com fármacos a que pode recorrer

2. Tratamentos com fármacos

Estes tratamentos ficam reservados para problemas temporários, como as infeções. «O que está em causa é melhorar a ventilação da via aérea. Pode-se tratar com soluções de água salgada, descongestionantes nasais, corticóides,  antibióticos ou anti-víricos», explixa o especialista.

É este também o tipo de tratamento indicado para problemas de congestão nasal por alergia, para imunodeficiências que se podem tratar e para infeções intermitentes. No entanto, dependendo dos problemas, a cirurgia pode ser recomendada se as soluções de curto prazo não se mostrarem suficientes, defende Anselmo Pinto.

3. CPAP é outra solução

Há problemas que não podem ser corrigidos com as soluções acima descritas ou cuja resolução implica o recurso complementar a outro tipo de tratamento. Nestes casos, geralmente recorre-se à Pressão Positiva Contínua Nasal, conhecida como CPAP (Continuous Positive Airway Pressure). Imagine uma espécie de bomba que, ao ser colocada no nariz da criança, cria uma pressão positiva na via aérea, de tal forma que o ar é empurrado para o seu interior.

De acordo com o Royal College of Paediatrics and Child Health, trata-se de uma solução alternativa à cirurgia quando esta não tem resultados efectivos ou está contra-indicada. É o caso, segundo a mesma fonte, das crianças com menos de dois anos, doença severa do coração ou pulmões, doença neuromuscular, anomalias crânio-faciais, problemas neuronais ou obesidade severa.

O melhor dos dois mundos

De acordo com Anselmo Pinto, o CPAP não é uma solução fácil de aplicar em crianças, pelo que, sempre que se trate de um problema anatómico, será preferível complementar o seu uso com a realização de uma cirurgia. «O CPAP foge ao problema, mas para o fazer acaba por causar outro tipo de problemas à criança, porque tem que vencer as obstruções anatómicas. Por isso é melhor recorrer à cirurgia, já que a cirurgia mesmo que não resolva na totalidade, vai facilitar o uso do CPAP», explica.

Texto: Rita Miguel com Anselmo Pinto (otorrinolaringologista especialista em sono)

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