"Este Governo está a promover desperdícios porque não está a rentabilizar os serviços, nomeadamente blocos operatórios, por falta de enfermeiros ou de assistentes operacionais", apontou Guadalupe Simões, dirigente nacional do SEP.

Esta responsável reagia assim as declarações que o ministro das Finanças, Mário Centeno, proferiu na quarta-feira, no parlamento, quando admitiu que possa haver situações de má gestão no SNS e que, nesse caso, têm de ser avaliadas, adiantando que foi criada uma unidade de missão para avaliar a dívida na Saúde.

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"Pode seguramente haver má gestão, na verdade, e temos de olhar para ela", disse Mário Centeno, na comissão de Trabalho da Assembleia da República.

Para Guadalupe Simões, que falava à porta do Centro Hospitalar da Cova da Beira (CHCB), na Covilhã, as declarações do ministro enquadram-se num discurso que "tem décadas", sem que os sucessivos governos resolvam a situação.

Desperdício aumenta cada vez que um bloco operatório não é usado por falta de profissionais

Segundo referiu, neste momento, os desperdícios no setor "devem-se essencialmente à não contratação de profissionais, nomeadamente de enfermeiros", que leva ao aumento das listas e tempos de espera e à consequente necessidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ter de pagar ao privado para que os doentes sejam atendidos. Lembrando que um minuto num bloco operatório custa oito euros e que duas horas equivalem a 980 euros, Guadalupe Simões frisou que o desperdício aumenta cada vez que um bloco operatório não é usado por falta de profissionais.

Guadalupe Simões afirmou ainda que a diminuição do número de enfermeiros por turno tem sido uma constante e criticou que não estejam a ser autorizadas as substituições de enfermeiros que entram em situação de doença profissional, o que aumenta a sobrecarga dos que se mantêm a trabalhar.

De acordo com a sindicalista, a situação "é crítica em todos os hospitais a nível nacional" e, por isso, a saúde das pessoas pode estar a ser posta em causa, já que "com menos pessoas é mais fácil errar".

Uma "falta gritante" que o sindicato exemplifica com o Centro Hospitalar da Cova da Beira (CHCB), onde aponta a falta de 80 a 90 enfermeiros para dar resposta às necessidades.

"Somos cada vez menos e em três anos foram reduzidos 40 enfermeiros neste hospital", apontou Paulo Santos, delegado sindical dos enfermeiros no CHCB.

Segundo especificou, atualmente há 360 enfermeiros nesta unidade de saúde, mas, para fazer face às necessidades, seriam necessários "pelo menos 450".

Este responsável frisou que há enfermeiros em falta em todos os serviços desta unidade de saúde do distrito de Castelo Branco, mas considerou que as situações mais gritantes se verificam no serviço de medicina e no bloco operatório, que estão a funcionar, respetivamente, com menos 20 e 10 enfermeiros.

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