O uso do telemóvel durante a noite não afeta apenas os padrões de sono das crianças e dos jovens; também pode ameaçar a sua saúde mental. A conclusão saiu reforçada por um estudo recente da Universidade Murdoch, em Perth, na Austrália – o primeiro feito com 1.100 teenagers entre os 13 e os 16 anos ao longo de quatro anos.

A utilização excessiva da Internet e das redes sociais durante a noite – tema que vale um extenso artigo no The New York Times intitulado “Social Media’s Vampires: They Text by Night” – aparece claramente associada a oscilações de humor com tendência para a depressão, baixa autoestima e enfraquecimento das capacidades cognitivas. Daí à quebra de rendimento escolar, dizem os especialistas, vai um pequeno passo.

Lynette Vernon, a principal investigadora deste estudo australiano, diz que o número de adolescentes que escreve e usa o telemóvel durante as horas de sono cresce todos os anos. A situação acaba por se tornar insolúvel: a utilização do aparelho rouba-lhes tempo de sono e eles continuam a usar o telefone para passar o tempo.

O referido artigo do The New York Times, que pode ser traduzido por algo como «Vampiros das redes sociais: eles passam a noite a escrever», conta várias histórias de adolescentes enfiados na cama, às escondidas, diante de um ecrã pouco iluminado, a fazer download de músicas e a trocar mensagens com os amigos. E se os pais ficam ansiosos quando descobrem que os filhos se deitaram há duas horas mas continuam acordados, o mesmo acontece aos próprios, que se sentem emocionalmente incapazes de se desligar da Internet no período da noite com receio de perder alguma coisa fundamental.

Está provado que os dispositivos móveis provocam insónias e alteram a qualidade do sono. Um estudo recente do especialista Charles Czeisler, do departamento de Medicina do Sono da Harvard Medical School, demonstra que a luz azul artificial emitida pelos dispositivos eletrónicos ativa neurónios estimulantes do cérebro e que essa excitação interrompe a capacidade do corpo para produzir melatonina, hormona indutora do sono.

Dir-se-ia que só esta luz já seria um bom pretexto para erradicar os telemóveis do quarto dos adolescentes, mas se combinarmos este fenómeno com investigações recentes que associam o uso de dispositivos noturnos a estados de espírito deprimidos, baixa autoestima ou quebra de rendimento escolar, torna-se urgente que os pais tomem medidas e os jovens sejam alertados para a fatura que vão acabar por pagar. E não é a do telefone...

Horas de sono recomendadas por idade

1 aos 2 anos – 11 a 14h

3 aos 5 anos – 10 a 13h

6 aos 13 anos – 9 a 11h

14 aos 17 – 8 a 10 horas

18 aos 25- 7 a 9 horas

26 aos 64 – 7 a 9 horas

Fonte: National Sleep Foundation (EUA)

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