Foi há precisamente nove meses que nasceu pelas mãos de Carolina Patrocínio o seu primeiro 'bebé' na área do empreendedorismo – o site BabyLoop. Já devidamente formado e pronto a seguir passos cada vez mais firmes, o site onde qualquer pessoa pode vender ou comprar produtos de bebé usados tem saldo positivo e começa agora a ganhar asas.

Em entrevista ao Fama Ao Minuto, Carolina Patrocínio contou-nos tudo sobre a sua nova área de negócio e as novidades que o BabyLoop preparou para os pais portugueses.

Como é que surgiu a ideia de criar este conceito?

A ideia da BabyLoop surgiu há cerca de um ano e meio, quando me deparei com uma necessidade que achei que era urgente no âmbito das famílias portuguesas. E, claro, também devido à minha experiência de maternidade, sendo que fui mãe de três filhas num curto espaço de tempo, em quatro anos, e me deparei com o acumular de produtos de puericultura. Produtos valiosos, caros, que estavam em ótimo estado, sendo que grande parte deles não são usados mais do que seis/ oito meses.

Achei que havia aqui uma oportunidade gingante de haver um mercado de circulação entre as famílias de forma a que as pessoas pudessem poupar e, obviamente, ligar isso ao fator de sustentabilidade. E aí surgiu este projeto que foi desenvolvido com os meus sócios, que já era pioneiros neste mercado de circulação, mas com o Book in Loop [empresa de reutilização de manuais escolares].

A Carolina é a cara ou a autora deste projeto?

Estou envolvida desde o início, obviamente aquilo que me compete é muito mais dar a cara e dar a conhecê-lo. Fazer toda a promoção da BabyLoop para chegar ao maior número de famílias possíveis, mas na verdade a parte técnica e logística é feita por este grupo de rapazes, tudo homens, que já tinham experiência em economia circular

Existindo já diversas plataformas de revenda de produtos, onde podemos colocar à venda coisas usadas, o que é que o site da BabyLoop traz de diferente?

Ao contrário de qualquer outra marca de produtos usados, aqui todos os produtos passam por nós e saem para o consumidor final com uma garantia de limpeza e qualidade. Os produtos recolhidos têm toda uma revisão no nosso centro logístico para saber se estão em condições, são limpos e são fotografados num ambiente de fotografias profissionais, para libertar esse trabalho da pessoa que o vende. Quando colocamos os produtos à venda há este selo de qualidade, estão a ser vendidos como novos.

Temos de quebrar o preconceito de que temos de comprar tudo novo para os filhos.

Já nos disse que as suas três filhas influenciaram na criação do projeto, queremos agora saber se as coisas delas foram também pioneiras nas vendas. Colocou há venda os produtos das suas filhas?

Sim, fui a primeira a testar na fase pioneira. Foram nove meses em que tivemos diversos desafios na parte logística. Eu testei, apesar de muitas das minhas coisas ainda estarem a uso por ter filhas pequeninas. Não foi o meu caso em particular que criou esta necessidade de dar início ao projeto, mas tenho à minha volta amigos, família, pessoas que me levaram a sentir que havia coisas em muito bom estado que podiam ser usadas por outras famílias.

Também fez reutilização em sua casa, com as coisas das suas filhas?

Sim, fiz. De umas paras as outras fiz essa reutilização de forma natural. Ou seja, não adquiri novos produtos por elas serem tão próximas.

Passados estes nove meses e a fase pioneira que já referiu, qual o balanço que podemos fazer?

Temos mais de 12 mil subscritores da página e já tivemos mais de três mil produtos com interesse de revisão para serem avaliados. Reutilizamos 3,5 toneladas de material e as famílias conseguiram poupar cerca de 40 mil euros. Estes nove meses foram uma fase absolutamente pioneira e daqui para a frente as novidades que temos são muito animadoras.

Isto é uma causa que me move muito acima do escrutínio das redes sociais

E que novidades são essas?

Abrimos o leque de marcas dos produtos que recebemos e estamos a receber muito mais do que aqueles que inicialmente estávamos a receber. Temos uma pediatra que através das redes sociais da BabyLoop vai respondendo às dúvidas dos pais. Temos uma nova parceria com a Ajuda de Berço, em que os vendedores têm a possibilidade de entregar a totalidade ou uma parte do valor dos produtos que vendem à associação e, em breve, também quem adquirir produtos na plataforma poderá arredondar o valor da compra e entregar o excedente. Passámos também a ter pagamentos a prestações. O objetivo das nossas novidades é sempre ajudar os pais.

A pediatra vem dar aqui uma nova vertente a este projeto? A BabyLoop vai passar a ser mais do que um site de vendas?

Exatamente, a ideia é não sermos só uma página de venda online mas também de interatividade. De comunidade, no fundo.

Este projeto tem também uma forte vertente de sustentabilidade e uma grande preocupação com o ambiente.

Claro! O facto de ser uma economia circular, de as pessoas reutilizarem produtos que estão em bom estado, é obviamente ligado à sustentabilidade. Acho que não poderia ser mais urgente começarmos a pensar em economias circulares em todas as outras vertentes da nossa vida, não só na puericultura.

Já há muito tempo que queria enveredar por este lado mais de empreendedorismo

A Carolina enquanto figura pública considera importante defender essa preocupação ambiental?

Claro que sim. É importante quebrarmos alguns tabus, alguns preconceitos que poderiam existir no que toca a querermos ter sempre tudo do bom e do melhor para os nossos filhos. Isso continua acontecer, simplesmente temos de quebrar o preconceito de que temos de comprar tudo novo para os filhos. Podemos dar a oportunidade, podemos dar uma segunda oportunidade a estes objetos tão caros, tão valiosos, que estão em bom estado e que estão com o selo de garantia de que foram vistos por profissionais e que podem voltar a estar a uso.

Sendo uma das figuras pública que muitas vezes é alvo de grande escrutínio nas redes sociais, não teve dúvidas em lançar este projeto e pensar que poderia ser criticada por estar a vender os produtos e não a oferecer?

Não. Isso nuca foi motivo que me prendesse, esse escrutínio das redes sociais. Isto é uma causa que me move muito acima disso e eu não me posso sentir prisioneira desse tipo de comentários.

Ter um projeto de negócio fora da televisão era algo que desejava?

Já há muito tempo que queria enveredar por este lado mais de empreendedorismo e este foi o projeto ideal.

É fácil gerir esta plataforma sendo mãe de três crianças, apresentadora de televisão e com todos os projetos a que está associada à sua profissão?

Não, não é fácil. E principalmente no ano de arranque, com tantos desafios que temos de resolver no dia a dia, mas tudo se vai concretizando e é isso que também me move: ter novos projetos e novas ambições. Mas é uma ginástica diária.

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