“Camp: Notes on Fashion” foi o tema escolhido para a próxima edição do Baile do Metropolitan Museum of Art (MET) que, todos os anos, acontece na primeira segunda-feira de maio em Nova Iorque.

De acordo com a revista Vogue, a inspiração partiu da dissertação “Notes on Camp” (1964), onde a escritora e ativista Susan Sontag se debruça sobre o camp: um conceito de natureza disruptiva e complexa.

Como explica Andrew Bolton, curador do Costume Institute, o termo deriva do verbo francês se camper, que significa um estilo e postura extravagante, e pode ser definido como o “amor pelo inatural: pelo artifício e exagero”. Para além disso, o camp pode ainda ser visto como um estilo onde a “ironia, humor, paródia, artifício, teatralidade, excesso, extravagância, nostalgia e exagero” convivem entre si e que está presente em diversas áreas e esferas.

Para além de Andy Warhol, que a revista liderada por Anna Wintour descreve como o “derradeiro ícone camp”, este é um conceito personificado por figuras como Luís XIV, conhecido como "Rei Sol", Marlene Dietrich, Judy Garland, Cher ou Elton John e onde os convidados podem ir buscar inspiração na altura de escolher o look que pretendem usar no evento que acontece no dia 6 de maio de 2019.

Mais do que “explorar as origens da estética camp e como evoluiu de algo marginal para se tornar numa influência na cultura mainstream”, a exposição vai “examinar a forma como os designers de moda usaram a sua profissão como forma de engajar o camp de forma atrativa, humorística e por vezes incongruente”, é possível ler-se no site oficial do MET.

Este é um conceito visível nas criações de Alessandro Michele, diretor criativo da Gucci, e que este ano é um dos organizadores do evento. De acordo com o jornal The Washington Post, ao todo são 175 o número de itens - como é o caso de peças de roupa, esculturas e pinturas - que vão integrar a exposição.

Charles Frederick Worth, Balenciaga, Prada ou Demna Gvasalia são alguns dos 37 estilistas que vão ter as suas criações patentes nas galerias Iris and Gerald B. Cantor.

Organização e objetivo do evento

O Baile do MET é um evento de beneficência organizado pelo Costume Institute do Metropolitan Museum of Art (MET) cujo objetivo é angariar fundos para se auto-financiar durante os próximos 12 meses. O evento serve de momento inaugural para a exposição de moda que todos os anos é organizada pelo Costume Institute e que só abre ao público no dia seguinte.

“A moda era vista como frívola e trivial quando comparada com as belas artes do século XIX, mas a verdade é que tinha um conceito, uma estética, determinadas regras, técnicas refinadas... Ou seja, tudo aquilo a que sujeitamos o critério de arte. Olhamos para as roupas como obras de arte”, afirmou durante o documentário 'The First Monday in May' (2015) Harold Koda, antigo curador responsável do Costume Institute, que está localizado num piso subterrâneo do MET e que alberga a maior coleção de moda do mundo.

O estilista britânico Alexander McQueen, que cometeu suicídio em 2010, foi uma figura fulcral nesta aceitação e mudança de mentalidade perante a moda como forma de arte. Recorde-se que em maio de 2011, o MET inaugurou Alexander McQueen: Savage Beauty, uma exposição em honra do estilista que se tornou numa das mais visitadas na história do Costume Institute.

Preparativos e decoração

O Baile do MET começa a ser preparado com cerca de oito meses de antecedência sob o pulso firme de Anna Wintour, editor in chief da Vogue e trustee do Costume Institute. “É frustrante porque nem sempre se compreende a narrativa e complexidade do evento do ponto de vista do designer. Tento não prestar atenção à opinião dos outros em termos de expectativas e tento confiar na minha decisão. Muitas pessoas têm uma compreensão superficial sobre a moda. Sobrestimam o poder que as peças de roupas têm em contar uma história ou tocar a vida das pessoas”, referiu Andrew Bolton, curador responsável do Costume Institute, durante o documentário a propósito da exposição China: Through The Looking Glass que se realizou em 2014.

Após a seleção dos estilistas, a exibição começa a ganhar forma num storyboard onde constam as criações selecionadas para integrar a exposição e com que objetos de arte irão ser conjugadas. Para além de supervisionar as instalações e o design da exposição, Anna Wintour fica encarregue de elaborar a lista de convidados, organizar as mesas, pensar na decoração e na iluminação do evento.

Recorde-se que a relação entre o Costume Institute e a Vogue é algo que já vem desde os anos 1970, altura em que Diana Vreeland (na imagem) se tornou consultora no Costume Institute do MET após abandonar o cargo de editor in chief da Vogue. Contudo o primeiro Baile teve lugar em 1948 pela mão da publicista Eleanor Lambert que começou o evento como uma atividade filantrópica para a elite nova-iorquina.

Tema do evento, dress code e convidados

Todos os anos a organização divulga o tema da exposição preparada pelo Costume Institute que poderá refletir-se, ou não, na indumentária escolhida pelos convidados.

É de destacar que cada criador de moda costuma escolher uma celebridade que, para além de o acompanhar ao evento, deverá vestir um look assinado por si. Esta é uma forma de os estilistas escolherem a sua musa, ou seja, a pessoa que melhor define a estética dos seus designs.

Apesar da vertente solidária do evento, a verdade é que nem todos os convidados são obrigados a pagar, aproximadamente, 27,500 euros por um bilhete ou 252 mil euros por uma mesa. As exceções à regra aplicam-se em duas situações distintas: as celebridades que são convidadas pelos designers para o evento e os estilistas que, por estarem em início de carreira ou não terem possibilidade de comprar o bilhete, são convidados por Anna Wintour.

O Baile do MET, que este ano será organizado pelo diretor criativo da Gucci, Alessandro Michele, pela tenista Serena Williams e os músicos Lady Gaga e Harry Styles, desenrola-se da seguinte maneira: após passarem pela passadeira vermelha e cocktail, os convidados são os primeiros a fazer uma visita pela exposição. O evento termina com um jantar e a atuação de um artista convidado pela organização.

“Camp: Notes on Fashion” abre ao público no dia 9 de maio e vai estar patente até dia 8 de setembro de 2019.