Numa carta enviada ao Presidente da República, ao presidente da Assembleia da República e ao primeiro-ministro, um conjunto de profissionais de saúde, de gestores e empresários, entre eles os presidentes da Altice, da Vodafone e da Nós, assim como gestores ligados à indústria, à cultura e ao turismo, recordam que é fundamental criar uma alternativa “a novos períodos de ‘lockdown’ – que se apresentam como um modelo cego e com impacto na economia de um país”.

Os promotores desta iniciativa são Miguel Pinto Luz, vice-presidente da Câmara de Cascais, Pedro Santa Clara, professor universitário, Miguel Lucas, presidente do fundo OxyCapital, e Manuel Rodrigues, professor do King´s College.

O documento é assinado por 167 personalidades, designadamente o presidente da CIP, António Saraiva, o secretário-geral da UGT, Carlos Silva, e o ex-ministros dos Negócios Estrangeiros António Martins da Cruz.

Na carta, a que a agência Lusa teve acesso, dão como exemplo o Japão, Singapura e a Coreia do Sul para afirmar que é possível, com medidas de contenção muito rigorosas, manter a economia e funcionamento sem ‘lockdown’ e, ao mesmo tempo, conter a propagação do vírus”.

“Acreditamos que não é possível suspender a atividade económica até que não exista qualquer risco de contágio. O nosso modelo de sociedade não suportaria uma espera tão prolongada. Mas também consideramos que seria uma atrevida inconsciência retomar a atividade sem adotar cuidados adicionais que garantam que não teremos um ressurgimento a curto e médio prazo”, escrevem.

Como medidas adicionais sugerem o uso obrigatório de máscaras por parte de toda a população para reduzir a transmissão do vírus e que, em caso de escassez de material, estas sejam confecionadas em casa seguindo as instruções do Conselho de Escolas Médicas Portuguesas e de entidades internacionais como o Centro de Controlo de Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

O diagnóstico precoce de covid-19, testando todos os suspeitos num prazo de 24 horas desde a manifestação de sintomas, a massificação da utilização dos testes serológicos na população portuguesa, e a utilização, com supervisão da comissão de proteção de dados, de informação cedida pelos operadores de redes móveis para identificar cidadãos eventualmente expostos a risco de contágio par serem informados via sms ou contacto telefónico são outras das medidas defendidas.

Este grupo de personalidades defende o uso de equipamento de proteção individual em todos os profissionais de saúde, tanto em áreas covid-19 como não covid-19 para evitar contágio por doentes que não se enquadrem inicialmente na definição de caso suspeito e a capacitação de grupos específicos em empresas, escolas e comunidades para identificação de casos suspeitos na comunicado.

Defendem que sejam mantidas todas as medidas de distanciamento “que não tenham impacto económico, como o regime de teletrabalho sempre que possível”, assim como a ponderação individual do aliviar de cada medida de contenção.

Criar estrutura de Laboratórios e Médicos sentinela para identificação de transmissão do vírus SARS-CoV-2, responsável pela pandemia de covid-19, assim como a definição dos necessários investimentos adicionais a efetuar no Serviço Nacional de Saúde, “de forma a estar preparado para todos os cenários”, são outras das propostas.

“Conforme o alerta da Ordem dos Médicos, temos hoje a consciência clara de que milhares de utentes evitam o SNS, por receio de potencial contágio. Este facto leva a que patologias mais frequentes e igualmente fatais estejam a ser diagnosticadas tardiamente, com consequente aumento da morbilidade e mortalidade”, recordam.

Defendem ainda que “Portugal precisa de, tão rápido quanto possível, reinventar e ajustar rotinas tendentes ao regresso a uma certa normalidade reinventada” para que a economia possa “iniciar uma recuperação acelerada”.

Portugal, em estado de emergência até 17 de abril e onde o primeiro caso foi confirmado em 02 de março, está na terceira e mais grave fase de resposta à doença (Fase de Mitigação), ativada quando há transmissão local, em ambiente fechado, e/ou transmissão comunitária.

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