"Muitas vezes vemos cenas muito tristes aqui", reconhece Hendrichs. "As pessoas choram muito [...] entram em choque e às vezes têm ideias suicidas", diz este amante de animais. O cemitério de Tierhimmel - "o céu dos animais" - de 10.000 m2, está localizado em Teltow, a sul de Berlim, num país onde o entusiasmo pelos animais não para de crescer.

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Há lenços de papel disponíveis em todos os lugares, do crematório à "sala silenciosa", que tem paredes cobertas de fotos dos amigos que partiram. "O trabalho de acompanhamento no luto é imenso. É preciso ouvir e levar as pessoas a sério", explica Hendrichs.

Em caso de necessidade, o cemitério também oferece ajuda profissional. "Temos uma veterinária com formação em psicologia que organiza discussões em pequenos grupos", como terapia.

Foi em 2003 que Ralf Hendrichs decidiu adquirir um grande terreno para criar este cemitério, após a morte de seu doberman. Um pouco depois de deixar o corpo do animal no veterinário, descobriu que ele tinha acabado numa trituradora, junto com os cadáveres de animais de criadouros. "Chorámos durante dias", recorda.

As fotos do Tierhimmel

Perder um animal de estimação pode causar uma profunda tristeza, muitas vezes subestimada, afirma. "Para nós, não é apenas um animal, mas um companheiro, um membro da família", que merece ser enterrado com "dignidade".

Sebastian Oehlandt, de 27 anos, vai ao cemitério três vezes por semana para se recolher no pequeno túmulo de Hiro, o seu gato, que o "acompanhou por quase 15 anos", acabando por morrer na altura do Natal.

"De repente, houve um enorme vazio", admite o jovem, que vive com o pai e outro gato.

Karla Lemke, de 63 anos, está inconsolável. Perdeu há 14 meses o seu cão, companheiro de uma vida. "Venho aqui todos os dias, duas vezes por dia", diz esta mulher cujo pinscher Alien tem o túmulo mais decorado e colorido do cemitério.

Director of the Tierhimmel (
Ralf Hendrichs, diretor do Tierhimmel em Teltow créditos: JOHN MACDOUGALL / AFP

34 milhões de amigos

O amor dos alemães pelos animais domésticos - principalmente cães e gatos, mas também hamsters, porquinhos da Índia, tartarugas, coelhos e peixes - não para de aumentar desde 2008 (+45%), sem que haja uma causa claramente identificada. Atualmente, há 34,3 milhões de mascotes registadas. Cerca de metade dos lares alemães tem um animal, em comparação com um terço há 10 anos.

"Um animal doméstico como companheiro social, sobretudo para os solteiros, é cada vez maior na nossa sociedade", afirma o presidente da IVH Georg Müller.

A quantidade de enterros no cemitério aumentou de forma galopante, passando de 120 no primeiro ano para mais de 4.000 atualmente (3.500 cremações e 500 enterros).

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Sempre a seu lado

O cemitério de Ralf Hendrichs também é um negócio. Para um túmulo individual é preciso desembolsar pelo menos 180 euros por dois anos renováveis; para uma cremação, de 105 a 370 euros, segundo o peso do animal.

Também há uma série de produtos, como urnas e objetos personalizados, desde a pegada da pata em gesso a um medalhão que pode conter as cinzas, passando pelo diamante sintético criado a partir das cinzas do companheiro falecido (a partir de 2.500 euros). "Assim, os proprietários podem ter p seu ex-parceiro sempre por perto", diz Hendrichs.

Agora este entusiasta dos animais sonha em criar um cemitério onde as cinzas dos animais e dos seus donos possam ser enterradas juntas. "Temos muitos pedidos há anos", assevera.

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